São crianças, foices, cachorros, ginastas, mendigos e prostitutas. São também momentos raros de espetáculo da natureza. É o glamour e também a falta dele. Tudo isso é retratado e eternizado todos os dias pelos fotojornalistas das redações do mundo inteiro. É a foto que move a notícia e é através dela que a informação ganha confirmação. Para mostrar como são sensíveis as câmeras dos profissionais do estado a Associação dos Repórteres Fotográficos do Paraná – Arfoc/PR iniciou esta semana a 15ª Mostra de Fotojornalismo do Paraná.
Ao todo são 60 profissionais que estão participando do evento que já virou uma vitrine do que eles fazem durante o ano inteiro. Quem está na curadoria é um veterano no assunto. Irany Carlos Magno já presidiu a Arfoc/Pr e é um dos profissionais mais conhecidos do Estado.
Entre os trabalhos expostos no Museu da Fotografia, localizado no Solar do Barão, em Curitiba, momentos de grande sensibilidade dos fotógrafos, como por exemplo a imagem de um travesti com as costas tatuadas jogado na calçada, já no amanhecer do dia. A foto é do atual presidente da Arfoc/Pr, Luiz Augusto Costa. É dele também o flagrante dado no ex-Secretário de Segurança do Estado do Paraná, Cândido Martins de Oliveira sendo obrigado a fazer o teste do bafômetro. Uma foto feita por acaso, que poderia ter sido inscrita em grandes prêmios do jornalismo brasileiro. ‘‘Eu estava passando por lá por acaso quando vi a cena. Foi um momento de sorte. Pena que na correria do dia-a-dia acabei esquecendo de inscrevê-la em algum concurso de melhor foto’’, conta Costa.
Para quem se interessa pelo universo do fotojornalismo, passar uma tarde observando os trabalhos pendurados nas paredes do museu pode ser uma viagem ao universo de profissionais que circulam por vários mundos ao mesmo tempo. O fotojornalista é um mestre em tirar das imagens a melhor forma de materializar a notícia e o que se vê lá é uma inundação de emoções. É o olho do profissional que conseguiu passar para o papel a tristeza de uma criança com fome, o interesse do mendigo em ler um jornal colhido no chão, a beleza de um exercício feito por uma ginasta olímpica, a destreza com que um jogador de futebol ajeita a bola no pé e até o acasalamento dos sapos.
Ir até o Solar do Barão conferir o trabalho dos fotógrafos paranaenses é perceber a sutileza que a profissional Isabel Livinski teve ao olhar para os pés de dois presos acorrentados e ver que um estava calçando um chinelo Rider e o outro Havaianas. Perceber esta informação que, muitas vezes passa desapercebida pela maioria dos olhos, é o que faz os fotojornalistas serem figuras fundamentais para a história da imprensa brasileira. Não perca.
Serviço: 15ª Mostra de Fotojornalismo do Paraná no Museu de Fotografia do Solar do Barão (Rua Carlos Cavalcanti, 533), em Curitiba. A mostra pode ser vista até dia 24 de fevereiro das 9 às 18 horas, de segunda

mockup