São Paulo, 18 (AE) - Desde a chegada dos navegadores portugueses a praias brasileiras, houve mudanças radicais nos costumes, cultura e modo de vida dos índios. Muitas foram impostas à custa de sangrentos etnocídios. Por isso, os poucos povos que mantiveram intacta sua cultura podem ser considerados sobreviventes. Entre eles estão os mehinakus, tribo que habita o Parque Nacional do Xingu. Para mostrar um pouco do dia-a-dia dessa isolada comunidade indígena, a Casa da Fotografia Fuji abre amanhã (19) para o público, às 19 horas, a mostra "Mehinaku - Message from Amazon".
A exposição é resultado do trabalho conjunto do fotógrafo Vito dAlessio, do diretor de vídeo Renato Dutra (da Dialeto Latin American Documentary) e do indigenista Paulo Pinagé. Com apoio da organização não governamental Rainforest Foundation/Japan, eles fizeram cinco viagens em quatro anos para o Alto Xingu. Colheram imagens de rituais, objetos de adorno, utensílios domésticos e tudo o que faz parte do cotidiano dos índios.
Além das 98 fotos expostas, serão apresentados desenhos e pinturas de Kamalá Mehinaku, artista plástico e representante da aldeia. "Queremos mostrar mais do que fotos, mas a cultura e o modo de vida da tribo", explica a curadora Roseli Nakagawa. "O trabalho feito pela equipe de Vito dAlessio tem teor documental". Segundo o fotógrafo, a escolha dos mehinakus veio do fato de a tribo preservar durante séculos suas características originais.
"Eles não mudaram seus costumes desde o primeiro contato com o homem branco, em 1887", conta DAlessio. Ele diz que poucos são os que falam português. "É mais raro ainda encontrar algum que já tenha saído da reserva". Durante o período em que esteve no Xingu, a equipe evitou permanecer por muito tempo na aldeia para não interferir no cotidiano deles. "Ficávamos no máximo dez dias na reserva", lembra o DAlessio.
Segundo o fotógrafo, o primeiro contato com os mehinakus ocorreu de maneira tranquila, já que Pinagé mantém boa relação com a tribo. Essa boa acolhida que a equipe de DAlessio teve no Xingu é transmitida com clareza nas fotografias. A impressão é a de que os índios passaram a encarar a câmera com familiaridade. "Ficamos à vontade num lugar com gente tão feliz", afirma o fotógrafo. (R.S.) Mehinaku - Message from Amazon. De segunda a sexta, das 9 às 19 horas; sábado, das 12 às 17 horas. Casa da Fotografia Fuji. Avenida Vereador José Diniz, 3.400, tel. 5091-4055. Até 1.º/5. Fecha na sexta

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