Rio - O Paço e o chafariz projetado por Mestre Valentim foram provavelmente as primeiras construções avistadas por d. João e pela família real quando chegaram ao Rio. Duzentos anos depois, as edificações continuam de pé - e o que é melhor, restauradas e preservadas.
Antes da vinda da família real, o Paço abrigara a Casa da Moeda, onde o ouro de Minas era fundido e as moedas, cunhadas, e o Armazém Real, onde ficavam guardadas as armas. Mais tarde, virou Casa dos Vice-Reis. Com o anúncio da vinda da corte, foram necessárias obras urgentes, de embelezamento.
Os cômodos voltados para o mar configuravam a parte nobre, onde ocorriam as audiências reais, as cerimônias do beija-mão. A família real se instalou nos quartos da frente do prédio. Fidalgos acomodaram-se no segundo andar. Servidões foram construídas para ligar o Palácio Real à Casa da Câmara e da Cadeia (hoje Palácio Tiradentes), onde ficavam os serviçais, e ao Convento do Carmo, que passou a hospedar d. Maria I, a Louca.
O Paço Real virou Paço Imperial depois da Declaração da Independência, em 1822. Com a Proclamação da República, o local foi ocupado pelos Correios e sofreu novas reformas. No pátio, um novo prédio foi erguido. A fachada ganhou elementos de arquitetura neoclássica. Uma restauração entre 1982 e 1985, a cargo de Glauco Campello, devolveu ao Paço o jeito que tinha quando recebeu d. João VI - e o edifício intruso foi posto abaixo.
Hoje, o Paço é frequentado tanto por cariocas como por turistas. Tem sala de cinema, para filmes que não têm vez no circuitão das multiplex, um aconchegante bistrô e muitas salas para exposições. A restauração da década de 1980 revelou relíquias, como os vestígios da chaminé, os fornos da fábrica de moeda e o teto da antiga prisão.
O jornalista e escritor Laurentino Gomes, em seu livro ''1808'', faz críticas ao uso que foi dado ao Paço. ''Um turista desavisado poderia passar por ele sem tomar conhecimento dessa informação (de que foi sede do governo de d. João VI de 1808 a 1821)''. E continua: ''Os aposentos vazios são usados de forma esporádica para eventos deslocados do contexto''.
Não é bem assim. Por toda a construção há placas indicativas sobre as várias fases históricas da ocupação do prédio. Entre 1985 e 2005, foram 475 mostras, como registra o livro comemorativo dos 20 anos do centro cultural.
O diretor Lauro Cavalcanti tem a explicação para os ''aposentos vazios'': ''Com a República, todo o acervo do Paço foi a leilão. Não era justo desfalcar as coleções de museus como o Histórico Nacional ou o Imperial e oferecer aqui no Paço uma exposição fantasiosa'', diz.
O que mais ver
Atrás do Paço Imperial (para quem chega pela Avenida Primeiro de Março) está o chafariz do Mestre Valentim, como ficou conhecido. Erguido em 1789, tinha a função de abastecer as embarcações que atracavam por ali. Os sucessivos aterros afastaram o monumento do Litoral, mas escavações arqueológicas trouxeram à mostra o antigo cais.
À esquerda do Paço e do chafariz há outra construção do período joanino - ou melhor, o que sobrou dela: o Arco do Telles. A casa da família Telles de Menezes foi destruída por um incêndio, em 1790. Apenas o arco resistiu às chamas. Por ali, há bares e restaurantes que ficam lotados no happy hour. Um deles funciona na casa onde morou Carmen Miranda. (C.T./Agência Estado)

SERVIÇO
Paço Imperial: Praça XV, 48 (21) 2533-4407 - entrada gratuita

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