"O Corruptor" tem ação na medida certa para John Woo
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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 29 (AE) - Fãs do ator Chow Yun-fat, dos filmes de John Woo em Hong Kong, não devem perder "O Corruptor", que estréia amanhã (30) nos cinemas da cidade. É um filme de ação legal, melhor do que os que o próprio Woo vem fazendo nos Estados Unidos, a menos que você faça parte do grupo que acha "A Última Ameaça" e "A Outra Face" o máximo. O diretor é James Foley, dos clipes de Madonna e do ótimo "O Sucesso a Qualquer Preço", baseado em David Mamet. Foley coreografa a violência no estilo de Woo. Também trata dos conflitos entre personagens movidos por lealdade e amizade que pareciam exclusivos do mestre oriental.
Chow Yun-fat é um policial nova-iorquino que é considerado modelo da organização. Na verdade, trafega no limite da corrupção. Tem ligação com o submundo, a Máfia de Chinatown. Ganha um parceiro novo, interpretado por Mark Wahlberg, de "Boggie Nights - Prazer sem Limites", de Paul Thomas Anderson. A relação entre os dois é tortuosa. Envolve lealdade e traição. Pode não ser o filme mais original do mundo, mas o conflito é sólido e a narrativa eficiente.
O confronto entre Yun-fat e Wahlberg vai além dos limites do thriller. Por trás da história policial há, como disse o produtor-executivo Bill Carraro, "uma dimensão cultural
um confronto de duas civilizações bem diferentes - uma cultura rude e outra bem civilizada, que também encara a corrupção como um mecanismo necessário para a sua sobrevivência". Não é uma ambição descabida. Afinal, outro dos produtores é o famoso Oliver Stone, que, em sua obra de diretor, vem fazendo (às vezes de forma bastante polêmica) o mapeamento moral da América pós-anos 60 e Guerra do Vietnã.
Stone escolheu o diretor Foley justamente por achar que ele poderia ir além da ação. Em seus melhores filmes, o citado "O Sucesso a Qualquer Preço" e "Caminhos Violentos", tratou de relacionamentos familiares complexos. Não se pode esquecer que, antes de virar diretor, ele se preparava para fazer psicanálise. Ilumina áreas sombrias da relação culpada entre pais e filhos.


