O corre-corre da produção
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quinta-feira, 17 de maio de 2001
Katia Michelle De Londrina 
Já virou praxe. Sempre que artistas estão envolvidos em algum evento, os produtores arrepiam os cabelos só de imaginar as exigências que vêm por aí. Mas até que nesse aspecto os produtores do Festival Internacional de Londrina (Filo) estão bem calminhos e penteados. Até o momento, o pedido mais extravagante foi um carro antigo, que deve invadir o palco do Cine-Teatro Ouro Verde no espetáculo Bailamos?, da companhia espanhola SSmola Teatre.
O problema é que em Londrina não tem um carrozinho antigo sequer, pelo menos do jeito que o grupo imaginava. Assim, os modelos que fizeram sucesso nos filmes de James Dean, por exemplo, serão substituídos por um Fiat 147, que a produção do Filo ainda procura. Temos que adaptar a maioria dos pedidos. Os conceitos de antiguidades dos grupos estrangeiros são diferentes do que podemos encontrar na cidade, justifica a produtora Ana Goes.
Há sete anos no Filo, ela conta que já quebrou muito a cabeça para viabilizar os objetos solicitados. Uma vez tivemos conseguir uma areia azul. E tinha que ser dessa cor porque fazia parte do espetáculo, lembra. Esse ano, além do carro que integra os pedidos para a segunda fase do festival, a produção ainda precisa encontrar um fogão a lenha e um figurino de cardeal, que será utilizado em Banquete Performático (dia 19); um colchão de ar e um motor de turbina para o cenário de La Balada de les BSsties (dia 31) da companhia Teatro de Lull, da Espanha; uma banheira com rodas para La Casa de Rigoberta Mira Al Sur (dia 26), do grupo de teatro Justo Rufino Garay, da Nicarágua, e uma infinidade de instrumentos musicais, que lidera o índice de pedidos. Isso porque quatro, dos 25 grupos, ainda não enviaram a lista de solicitações.
E para não deixar que nenhum material falte, pelo menos os possíveis de se conseguir, a sala de produção do Filo, na Casa de Cultura de Londrina, mantém uma parede repleta de recados, bilhetes, exigências e os pedidos mais urgentes. As vezes é mais fácil e barato mandar construir um objeto do que pedir para trazer de fora, diz Ana. A organização ainda não tem uma estimativa do orçamento gasto para atender esses pedidos, extravagantes ou não, e divide essa tarefa com a produção do Cabaré, evento musical do Filo.
O espaço onde será realizado o Cabaré, uma antiga concessionária da Ford, está sendo transformado aos poucos, num processo de produção semelhante ao realizado para atender aos grupos que se apresentam no festival. Estão sendo garimpados, por exemplo, dez sofás, dez poltronas, luminárias e objetos que devem criar um clima descontraído ao ambiente. O Cabaré do Filo começa na próxima segunda-feira com a apresentação de El Húsar de la Muerte, do grupo chileno La Patogallina. Em cena também estarão Tom Zé, João Bosco, Naná Vasconcelos, Leny Andrade, Oswaldinho do Acordeon, Titane e Hilton Ruiz e Chico Freeman. Segundo a produção do evento, os músicos ainda não fizeram nenhum pedido excêntrico.


