O corpo em perfeita harmonia
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quinta-feira, 08 de julho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O trabalho corporal de forma integrada é o objetivo da Ginástica Holística, modalidade de movimentos que atua em três níveis: o pedagógico, o preventivo e o terapêutico. De ''místico'' o trabalho não tem nada e o adjetivo ''holístico'' deriva da palavra grega ''holos'' que significa o todo. ''Trabalhamos com as cadeias musculares, com movimentos que repercutem em todo o corpo e também proporcionam um benefício psicossomático'', explicou a fisioterapeuta Débora Prado. Ela está ministrando oficina sobre o assunto direcionada para músicos, realizada pela primeira vez em Londrina, como parte da programação do 24º Festival de Música de Londrina.
A Ginástica Holística surgiu na Europa no início do século XX a partir de pesquisas da médica e fisioterapeuta Lily Ehrenfried (Berlim, 1986 - Paris, 1994). Ela chegou à França em 1933, onde desenvolveu e aplicou os ensinamentos que recebeu em Berlim de Elsa Gindler. No Brasil, esse conceito passou a ser conhecido no início da década de 90. O trabalho busca a sensibilização e a tomada de consciência que conduz o aluno a uma melhor utilização do seu potencial perceptivo, sensorial e motor, e a uma atitude corporal harmônica.
''No caso, estamos direcionando o trabalho aos músicos, mas não há nenhuma restrição de profissão ou idade para a prática da ginástica holística. A criadora do método era uma grande pianista e desde o início houve um certo direcionamento para os músicos. Uma postura adequada pode ser fundamental para o exercício da profissão do música. Ele precisa estar relaxado, posicionado adequadamente e ter um tônus muscular firme para exercer bem, e, por muito tempo, o seu papel'', explicou Débora.
A ginástica holística se diferencia basicamente dos outros movimentos por se desenvolver em três etapas: no início, relaxamento, seguido de exercícios de alinhamento e finalizado por tonificação.''O aluno sai com o músculo alongado, mas firme para exercer com qualidade as atividades que se propõe a fazer'', ressaltou Débora.
O trabalho também tem outras diferenciações. As aulas devem ser realizadas em salas sem espelhos, sem música, exercita-se normalmente no chão, descalço, com roupas confortáveis e os movimentos são entrecortados por pausas para que o aluno possa perceber e registrar os ganhos posturais que conquistou. Além disso, são utilizados diversos materiais facilitadores para os movimentos como bolinhas, de várias texturas e tamanhos, bastões, saquinhos de areia, elásticos e espaguetes. Outro detalhe é que a tradição da ginástica holística é gestual e verbal, sendo as aulas descritas oralmente pelo professor que só interfere na organização da postura quando necessário.
Sobre os benefícios psicossomáticos, Débora falou que eles resultam diretamente da consciência corporal dos alunos. ''No caso de uma pessoa angustida, com os movimentos da ginástica, vai aprender a tirar a tensão da coluna e, consequentemente, a respirar melhor, sentindo-se mais aliviada'', citou.
Os profissionais de Ginástica Holística vêm das áreas de saúde, arte ou educação. Além do diploma de nível superior, foram formados pela Dra. Ehrenfried ou pela sua sucessora Marie-Josèphe Guichard. Atualmente, mais de uma centena de profissionais exercem esta atividade pelo mundo. Estão reunidos em uma associação internacional - AEDE (Association des Elèves du Docteur Ehrenfried et des Praticiens en Gymnasique Holistique). No Brasil, os profissionais de Ginástica Holística pertencem à Associação Brasileira de Ginástica Holística (ABGH). Mais informações pelo telefone (43) 3322-6544.


