A presença da nudez nas artes não é exclusividade dos tempos modernos. "O corpo precisa ser visto como algo livre. Em determinados períodos da história a nudez era vista como algo espontâneo e natural, ao contrário do que acontece hoje em dia. Além disso, tudo depende do contexto histórico. Existem livros de fotografias alemãs de décadas atrás que naquela época eram consideradas eróticas e hoje parecem inocentes", avalia a fotógrafa Fernanda Magalhães, que tem doutorado em artes e é professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Professor do curso de Artes Visuais da UEL com doutorado em Poéticas Visuais, Cláudio Garcia está acostumado a lidar com as diversas reações dos alunos nas aulas de desenho que contam com a presença de modelos vivos e nus. "Teve uma aluna que pediu para não participar da aula porque o marido não permitia que ela visse outro homem nu. Ele fazia questão de posar em casa para que ela o desenhasse e depois ela trazia os desenhos para que eu os avaliasse. Por outro lado, há alunos e alunas que ficam empolgados com as aulas. O ideal seria que a nudez fosse vista com naturalidade", afirma o docente.
Apesar das reações contra e a favor, Garcia enfatiza que o corpo humano é o mais rico objeto a ser retratado em desenhos e gravuras. "Não tem como deixá-lo de lado. O corpo humano tem movimento e flexibilidade inigualáveis", afirma.
Na opinião do docente é incompreensível que a nudez ainda cause tanto impacto nos dias atuais. "No século 19, o quadro 'Almoço na Relva', de Manet (Édouard Manet, 1832-1883) criou o maior furor por retratar duas mulheres nuas. O intuito dele era trabalhar as perspectivas de espaço com uma imagem de mulher à frente e outra em segundo plano. Mas como elas estavam nuas só se falava da nudez e o que era mais importante acabou ficando de lado. Isso aconteceu há mais de um século, mas nada justifica que, em 2013, algumas pessoas ainda fiquem tão chocadas ao ver um corpo nu", argumenta. (M.R.)

mockup