O Corcunda Disney de Notre Dame
Não se sabe exatamente por que os executivos do estúdio resolveram diversificar a temática de seus longas de animação, mas a ousadia da jogada mostrou (1) que renovar com inteligência, sob as bênçãos tecnológicas de nosso senhor o computador, já não era sem tempo; e (2) que o prêmio pela guinada, a partir de A Pequena Sereia, foram cofres abarrotados e ações em alta. O filme é aquilo que podemos chamar de correta vulgarização de um clássico, o arquifamoso Notre Dame de Paris, que Victor Hugo escreveu em 1831. Com o perdão da tumular ausência, o desenho animado trai um pouquinho o espírito da fonte ilustre, alterando aqui e ali os rumos da história e atenuando com humor certas intercorrências, digamos, quase carnais, entre o concupiscente Frollo e a luxuriante cigana Esmeralda (na voz rouca de Demi Moore). Há uma deliciosa liberalidade: dois dos melhores personagens, as gárgulas antropomorfizadas e muito engraçadas, levam os nomes de Victor e Hugo Dirigido com habilidade e sensibilidade por Gary Trousdale e Kirk Wise, O Corcunda de Notre Dame é um musical com belas canções. E com certeza, a partir de sua concepção espacial e melodramática evidentemente operística, não deve demorar a chegar a Broadway, a exemplo de A Bela e a Fera. Para deleite de multidões e ira mortal de quem anda vendo a grife Disney ocupando espaços demais.





