O contraste de Silêncio e Sombras
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br>Equipe da Folha 
Antes do ano acabar, a produção audiovisual paranaense continua colhendo seus frutos. Neste fim de semana, será lançado o novo curta-metragem do diretor Murilo Hauser (o mesmo de Outubro), desta vez em parceria com Henrique Martins, que durante quatro anos trabalharam na realização de Silêncio e Sombras. A exibição na Cinemateca de Curitiba está marcada para este sábado, a partir das 20h, com sessões extras conforme a demanda.
Silêncio e Sombras é o primeiro trabalho de animação nas carreiras dos dois diretores. Antes eu achava que um filme de animação envolvia mais máquinas do que pessoas, mas concluí que é o contrário. A dedicação humana é bem maior, pois o processo é longo e lento. No nosso caso, foram quatro anos para produzir um curta de oito minutos e meio, explica Murilo Hauser, que soma com este, oito curtas realizados.
Inspirado no poema Der Erlkonig, de Goethe, e em sua versão musical, feita por Franz Schubert, Silêncio e Sombras retrata o fim da infância e início da adolescência, época marcada por contrastes. A relação entre razão e sonho é marcante durante esta etapa da vida, em que a pessoa passa a ver as coisas mais objetivamente. Este é um dos contrastes abordados no filme, comenta.
Outro destaque recente do audiovisual paranaense é o curta Perna, que na última quinta-feira foi o grande vencedor do Festival Claro Curtas 2008, uma das principais premiações do cinema nacional, direcionada para filmes digitais com duração de 30 a 90 segundos. A direção ficou por conta de Gil Baroni (um dos roteiristas do longa Mystérios) e do estreante Bruno Roberto de Sousa, protagonista da história. O filme conta a história de vida dele em um microdocumentário com duração adequada aos dias atuais, em que tudo tem que ser rápido, especialmente para os jovens que vêem vídeos no Youtube, explica Baroni.
Antes deste trabalho, Bruno Roberto de Souza filmava manobras de skate usando tecnologias caseiras. Perna é também o apelido pelo qual é conhecido, pelo fato de usar uma prótese em um dos pés. O filme não é sentimental, não é uma abordagem clichê de mostrar um cara sofrido que venceu na vida. O que mostramos é um cara legal e bonachão, que anda de skate e filma tudo o que passa por seu caminho, explica Baroni. O filme pode ser visto no site do festival ou no Youtube.


