O construtor e seu universo em miniatura
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Para tornar indubitável as coisas grandes do mundo, o ''Significador de Insignificâncias'', como definiu o poeta Paulo Leminski (1944-1989), construiu um universo em miniatura. Nesse lugar não existem castelos, quem quer se esconder vive lá e os que acham que nada mais derá certo descobrirão o que fazer.
É o mundo muito particular de Hélio Leites representado em sua obra minimalista ou minimélista, como define o próprio artista plástico curitibano.
Vivendo para criar o seu mundo feito de botões, caixas de fósforos e tudo mais que as pessoas jogam fora, Leites descobre para a gente o que já sabemos mas não temos coragem de olhar: ''Sabe como a gente desaparece? Escondendo o olho'', revelou Leites para uma plateia curiosa de adultos e crianças que, no final de semana, se formou em frente à loja Ciranda para ouvir as suas histórias, durante o lançamento do livro ''Pequenas Grandezas'', escrito pela pesquisadora Rita de Cássia Baduy Pires.
Leites recicla sonhos todos os domingos, na Feira de Artesanato do Largo da Ordem, em Curitiba, onde tem uma barraca perto do Relógio das Flores. Desse reprocessamento surgem poesias em cada um dos objetos que cria.
''Poesia não tem dono. O dono do poema é quem escuta'', afirmou Leites à plateia; com o livro ''Pequenas Grandezas'' nas mãos, a gente pode acrescentar que não é só quem escuta, mas vê e conhece a delicadeza do artista e de sua produção reunida no álbum ilustrado.
Não só Leminski, mas o fotógrafo Orlando Azevedo, Socorro Araújo, Vilma Slomp e outros escritores como Helena Kolody, Wilson Bueno e Domingos Pellegrini estão entre os que se tornaram donos da poesia de Leites.
Todos os seus admiradores são capturados por essa poética, que não está circunscrita somente ao universo mágico de um espaço tão diminuto como o botão.
Tudo começou quando ele era ainda uma criança. Um dia, ele encontrou um botão na rua e guardou. ''Para que serve um botão de roupa? Para juntar uma roupa com a outra. E para que serve isso aqui? Para juntar as pessoas'', comparou Leites à sua performance.
Ainda sobre os botões, no livro, ele diz que atrás de sua simplicidade existem histórias de glória e tragédia. Esses roteiros Leites traz na cabeça - literalmente - no seu Teatro de Boné, que ele define como sendo um teatro que faz o artista abaixar a cabeça, onde várias cenas são montadas nas abas do adereço.
Segundo Leites, atrás de sua simplicidade existem histórias que encantam crianças e adulto. ''Toda vez que abro uma caixinha de fósforo vai juntando pessoas. É como faço para consertar o mundo'' diz Leites ao apresentar outra de suas criações, o Teatro Minimélista do Botão, o Tembo.
O teatro é feito de caixinhas de fósforos recicladas. Cada uma delas apresenta uma história bíblica ou ditado popular narrada por miniaturas.
Abrindo e fechando suas caixinhas, ele conta que doença não é o fim da picada para ninguém, mas uma lição para a humanidade. Para Leites, o que salva e afunda a humanidade são as ideias.
Abrindo e fechando as suas caixinhas, ele conta que quando nada dá certo na vida, a gente deve contar uma história. De preferência, de fracasso. ''O povo adora histórias de fracassos alheios, para não cometer os seus próprios''.
Serviço
- Pequenas Grandezas
Autora - Rita de Cássia Baduy Pires
Editora - Artes e Textos
Quanto - R$ (160 págs)
Mais informações - 33256981 / Ciranda


