O conflito é atração em 'Valsa com Bashir'
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terça-feira, 03 de fevereiro de 2009
Jones Rossi<br> Agência Estado 
Se houvesse apenas um filme a ser visto em 2009 sobre o conflito entre israelenses e palestinos, ou mesmo sobre a guerra, este filme deveria ser ''Valsa com Bashir'', que estreia no Brasil em abril. O documentário em forma de animação conduzido por Ari Folman, ele mesmo um ex-soldado que combateu na Guerra Civil do Líbano, na década de 80, vai em busca de respostas para um dos momentos vergonhosos do exército de Israel e da história dos cristãos libaneses: o massacre nos campos de Sabra e Shatila, em Beirute. Um momento do qual ele teme ter tomado parte.
Vencedor do Globo de Ouro de filme estrangeiro, pré-indicado ao Oscar de filme estrangeiro e indicado à Palma de Ouro em Cannes, ''Valsa com Bashir'' não é um documentário comum. Começa pelo fato de ser uma animação e por tratar de um tema pouco discutido no país: a participação no massacre que matou entre 350 e 3.500 refugiados palestinos (os números divergem até hoje) na periferia da capital do Líbano, Beirute.
Em setembro de 1982, dois dias após o assassinato do presidente cristão do Líbano Bashir Gemayel, seus partidários, os Falangistas, decidiram ir à forra contra o lado mais fraco. O resultado assombrou o mundo. Corpos de velhos, mulheres e crianças fuzilados foram encontrados empilhados nas ruas ou dentro das casas de Sabra e Shatila. Tudo com anuência do exército israelense que, para facilitar a ação dos falangistas, disparou sinalizadores durante a noite.
Folman bloqueou as memórias da guerra e busca saber seu próprio papel procurando antigos soldados. Ele também é procurado por um amigo atormentado sempre pelo mesmo sonho. A partir dessas conversas, o filme mostra momentos terríveis da guerra, vividos por Folman ou seus companheiros.
O fato de ser uma animação não tira a força das cenas e ajuda ao mostrar os sonhos e as piores lembranças dos soldados. E há uma porção de cenas antológicas e diálogos que mostram como a guerra pode se tratar apenas de matança sem sentido.


