O compositor Pedro Luís
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Lucas Nobile <br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Benquerença e competência permitem que se pavimente uma estrada artística ao lado de amigos. E a maturidade faz com que eles entendam que, em determinado momento da vida, você tem o direito de dar, sozinho, alguns passos por ela. É o que acaba de ocorrer com Pedro Luís. Depois de uma trajetória em bandas como Urge e Boato, quinze anos com A Parede e dez com o Monobloco - os dois últimos grupos que o tornaram efetivamente conhecido no País -, ele lança agora Tempo de Menino, primeiro disco solo de sua carreira.
Em mais de uma hora de conversa perto do Jardim Botânico, no Rio, Pedro Luís, inevitavelmente, passa boa parte do tempo falando de seu projeto individual, mas volta e meia se expressa na primeira pessoa do plural, citando seus parceiros de Parede e de Monobloco. Para quem acompanha os grupos, ele mesmo avisa logo de cara que 'Tempo de Menino' não levará ao término de suas bandas.
''É uma demanda pessoal. Eu sempre fui muito múltiplo. Isso (o disco) é uma coisa que eu sempre quis fazer. Eu tenho um espírito gregário, de fazer as coisas coletivamente, e tive de respeitar também o momento desses empreendimentos coletivos que eu tenho'', diz o compositor, cantor, instrumentista e produtor. ''Normalmente, um artista que é conhecido como um artista de grupo, para ele fazer um trabalho solo, em geral, acaba a banda. Eu esperei o momento contrário, quando estes projetos coletivos estivessem bem encaminhados'', completa.
O primeiro disco solo de Pedro Luís, por uma característica própria, que o acompanha desde a infância, no bairro da Tijuca - a diversidade musical -, é daqueles que dão um nó na cabeça dos vendedores de lojas de discos. Encerrando diversos gêneros e estilos, Tempo de Menino é inclassificável, um balaio saudável e sortido de canções bem concebidas e acabadas.
Com Sérgio Paes, ele escreveu Nas Estrelas, capoeira com tempero de reggae e linda letra. Outra característica marcante na obra de Pedro Luís, fazer canções absolutamente urbanas, que funcionam como espécies de crônicas do cotidiano carioca, com seus tipos e personagens, fica evidente em temas como Crise (com Ivan Santos) e a jocosa e realista Menina do Salão de Beleza (com Beto Valente e Rodrigo Cabelo, amigos dos tempos da banda Boato). Ela também aparece em Bela Fera (feita apenas por Pedro Luís e que havia sido registrada na trilha da série As Cariocas), Rio Moderno (com Carlos Rennó) e Só o Esqueleto (com Ricardo Coelho).
O que pode surpreender a muita gente acostumada a seguir a PLAP e o Monobloco, grupos que têm em sua essência fazer músicas animadas, ''pra cima'' e com um tom mais coloquial, no melhor sentido que isso possa ter, são os temas extremamente sofisticados como a toada Imbora (com Zé Renato) e o fado Lusa (com Antonio Saraiva), gravados no disco.
Sonoridade e convidados - Produzido pelo MiniStereo (a competente dupla Rodrigo Campello e Jr. Tostoi), gravado no Rio, mixado por Renato Alscher e masterizado nos míticos estúdios de Abbey Road, Tempo de Menino conta com participações que dispensam apresentações.
Pedro Luís divide os vocais com Milton Nascimento, em Imbora; sua esposa afinadíssima e talentosa, Roberta Sá, em Os Beijos, parceria com Ivan Santos, que já havia sido gravada por Elba Ramalho; a grata revelação portuguesa Carminho, em interpretação emotiva no melodioso fado Lusa; e Erasmo Carlos, em Tempo de Menino, feita originalmente para o filme sobre a Tijuca, Praça Saenz PeÀa, do diretor Vinicius Reis.


