O comendador dos gibis


Iara LessaEspecial para Folha2
Iara LessaEspecial para Folha2
O comendador dos gibis
Anderson Coelho
Eloyr Pacheco:"Os quadrinhos voltaram a se multiplicar, publicações independentes estão se consolidando; há um grande número de adaptações de clássicos da literatura em quadrinhos nas bancas e no cinema"



O londrinense Eloyr Pacheco sempre teve seu nome ligado ao universo das histórias em quadrinhos. Ele mesmo costuma dizer que aprendeu a ler nos antigos gibis. Quadrinista, criador o de um dos poucos super-heróis afrodescendente, o Escorpião de Prata, ele agora entra para o seleto hall da nobreza do universo das grafic novels. É que no último dia 27, Eloyr tornou-se Comendador ao receber a Comenda do Mérito Cultural, na Ordem Histórias em Quadrinhos, outorgada pela Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos, na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.
"É uma premiação importante, embora o título seja inusitado. E por mais prêmios que eu já tenha recebido, esse foi muito especial, porque movimenta a cena dos quadrinhos e incentiva muito as publicações independentes", conta.
Eloyr já fez fanzines, exposições, escreveu para os jornais Folha de Londrina, Paraná Norte e Jornal de Londrina, entre outros, além de ter criado, em 1990, a primeira banca especializada em Quadrinhos em Londrina, a Batbanca. Também foi um dos idealizadores da AQL – Associação dos Quadrinhistas de Londrina.
"Costumo dizer que sou um cara que gosta de quadrinhos e tenho a felicidade de trabalhar com isso. Estou envolvido com essa atividade desde 1983. Produzi e apresentei programas de rádio e televisão, escrevi para diversos jornais, sempre sobre HQs. Em 1997 realizei um evento que contou com as presenças do professor Álvaro de Moya e do editor Leão Azulay, que me convidaram para ir para São Paulo trabalhar na revista Metal Pesado. Não demorou muito e eu passei a publicar, entre outros, títulos da DC, da Vertigo, e da Marvel. Trabalhei em São Paulo até o final de 2007 e voltei novamente para Londrina, onde, além de ministrar aulas e cursos, trabalhei como assessor executivo do gabinete do prefeito, onde participei dos conselhos da Promoção Racial e dos Direitos da Criança e Adolescente. Sempre trabalhei com quadrinhos, em diversas frentes, da criação à distribuição e não tenho o que reclamar", diz.
E pelo jeito não tem mesmo, já que o álbum "Protocolo A Ordem", edição que conta com a participação do personagem Escorpião de Prata, recebeu no sábado, dia 28 de janeiro, o Troféu Ângelo Agostini de Melhor Lançamento Independente de 2016. Aliás, o trabalho também recebeu o prêmio de Destaque do Ano concedido pela Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos (RJ).
"O Troféu Ângelo Agostini é um dos mais tradicionais da área e foi uma honra já que a edição, além da participação do meu personagem, ainda reúne dezenas de outros super-heróis brasileiros, isso é sensacional. Eu criei vários personagens, alguns inéditos, mas o Escorpião de Prata ganhou destaque por ter surgido numa HQ do Sideralman, criação do grande Will Eisner em que trabalhei, ele foi publicado pela primeira vez em julho de 2007", revela. William Erwin Eisner, como se sabe, foi um famoso e renomado quadrinista americano, criador de The Spirit, um herói sem superpoderes. A revista Escorpião de Prata também foi premiada pelo Salão Internacional de Angoulême, na França, em 2012.

"Escorpião Prateado", revista criada por Eloyr Pacheco que tem um personagem afrodescendente, ganhou o Troféu Ângelo Agostini de Melhor Lançamento Independente de 2016
"Escorpião Prateado", revista criada por Eloyr Pacheco que tem um personagem afrodescendente, ganhou o Troféu Ângelo Agostini de Melhor Lançamento Independente de 2016



DESTAQUE
Para completar o quadro, Eloyr também foi selecionado para o Salão Internacional de Angoulême com a revista La Bouche du Monde, pela publicação de um artigo e da HQ "A Mosca no Copo de Vidro´. A publicação, já ganhou o prêmio HQMix de Melhor Prozine em 2007.
Sempre na linha de frente, Eloyr começou a publicar tiras, charge e fanzine nos anos 1980. De lá para cá, vê com bastante entusiasmo o cenário atual.
"Vivemos um momento muito bom. Há muito espaço dedicado aos Quadrinhos, tanto em jornais, TV e sites, blogs e quanto mais se fala de um assunto, melhor é. Os Quadrinhos voltaram a se multiplicar; várias publicações independentes estão se consolidando; um grande número de adaptações de Clássicos da Literatura em Quadrinhos nas bancas e no cinema. A internet também facilita os contados e, como no caso do `Protocolo A Ordem´, possibilitou a criação do trabalho. Hoje podemos trabalhar com pessoas em diferentes localidades, conhecer grandes artistas e realizar ótimos trabalhos", revela Eloyr.
Atualmente estudando História, o Eloyr trabalha em mais um projeto que envolve HQs. Pesquisa os originais da história em quadrinhos "Raio Negro", do desenhista e editor brasileiro, Gedeone Malagola, conhecido pela criação do super-herói Raio Negro e pelas histórias de terror "O Lobisomem" e "A Múmia".
"Os originais do Raio Negro, do Mestre Gedeone Malagola (1924-2008), do meu acervo renderam duas exposições. Uma em 2012, no meu estúdio, e em 2015, no Museu de Arte de Londrina. É um herói particularmente intrigante, já que surgiu na década de 1960, durante o Golpe Militar. O herói é nada menos que um Tenente da FAB (Força Área Brasileira). Estou estudando de perto essa conexão", finaliza o comendador.




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