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Londrina

LEITURINHA

m de leitura Atualizado em 23/05/2022, 16:42

O começo de tudo e o fim de todas as coisas

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de maio de 2022

Marcos Lonak/ Especial para Folha 2
AUTOR autor do artigo

Foto: Divulgação
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Muitas histórias começam com o tradicional “era uma vez”. Mas existem histórias que começam muito antes de “uma vez”. Começam quando ainda não existia nenhuma vez.

Em “A Água e a Águia”, o escritor moçambicano Mia Couto cria uma lenda do início do mundo, uma fábula poética sobre coisas que aconteceram “quando não era ainda nenhuma vez”.

Publicado pela editora Companhia das Letrinhas com ilustrações de Danuta Wojciechowska, a obra infantil narra a gênese da Terra e seus impasses atuais.

Segundo a lenda de Mia Couto, no início havia apenas águias voando pelo céu infinito: “E o bater das asas era o único ponteiro do tempo”.

Havia um único rio que corria pelos vales, uma única fonte de água que molhava as margens do mundo. As águias, em seus infinitos voos, tocavam as águas com suas asas e espalhavam gotas pelo vento gerando chuva.

Tudo existia em plena interação até o dia em que a chuva se esqueceu de acontecer. E o rio ficou magro. E a terra seca se tornou areia quente.

Com a escassez de água instalada no mundo, uma velha águia resolve devorar a letra “i” da palavra “águia”. Seu objetivo é transformar a palavra “águia” na palavra “água”. Sua intenção era fazer com que a água voltasse a existir no planeta com fartura.

A ideia funciona. E todas as outras águias passam a devorar os “is” da palavra “águia”. A água volta a existir para saciar a sede dos pássaros. O rio quase volta a ser o que era antes.

Mas a prática funciona apenas por um tempo. Com o passar dos anos, a seca volta emagrecer o rio. E as águias, cada vez com mais sede, cada vez mais gulosas, resolvem devorar também a letra “i” da palavra “rio”.

E assim a desgraça conhece a luz do dia: “As águias não sabiam que um rio nasce no ‘r’ e deságua no ‘o’. Entre a nascente e a foz deve haver uma vogal costurando princípio e fim. Elas não sabiam o alfabeto da Vida.”

Em “A Água e a Águia”, Mia Couto coloca no ar uma coleção de possibilidade de leituras sobre o começo de tudo e o fim de todas as coisas. E de como tudo e as coisas estão entrelaçadas a tal ponto que uma ação particular pode determinar o futuro de todos.

Serviço:

Imagem ilustrativa da imagem O começo de tudo e o fim de todas as coisas Imagem ilustrativa da imagem O começo de tudo e o fim de todas as coisas
|  Foto: Reprodução
 

“A Água e a Águia”

Autor – Mia Couto

Ilustrações – Danuta Wojciechowska

Editora – Companhia das Letrinhas

Páginas – 32

Quanto – R$ 47,90

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