O clássico por completo
Celso Mattos
De Londrina
Dois clássicos que marcaram época no cinema estão sendo lançados em DVD: Uma Rua Chamada Pecado e Bonnie e Clyde Uma Rajada de Balas. O terceiro filme do pacote da Warner Home Vídeo é Competição de Destinos, que mesmo não sendo um clássico, é um drama sensível que merece ser visto. Porém, a grande atração é Uma Rua Chamada Pecado, baseado na peça Um Bonde Chamado de Desejo, de Tennessee Williams e dirigido pelo impagável Elia Kazan.
Produzido em 1951, o filme é um marco na categoria de direção, interpretação e direção de arte. Mas sua grande atração está no belíssimo texto de Tennessee Williams, com seus diálogos insuperáveis e personagens inesquecíveis. A neurótica Blanche Dubois e o insensível Stanley Kowalski ganharam na pele de Vivien Leigh e Marlon Brando, intérpretes à altura de suas complexidades dramáticas. Ambos estão maravilhosos no filme. O elenco de Uma Rua Chamada Pecado é tão bom que na cerimônia do Oscar de 1952, a produção conseguiu um feito inédito: ganhou três estatuetas de intepretação. Melhor atriz para Vivien Leigh, melhor atriz coadjuvante para Kim Hunter e melhor ator coadjuvante para Karl Malden. Marlon Brando também foi indicado, mas acabou perdendo para Humphrey Bogart por Uma Aventura na África.
O lançamento em DVD desta obra-prima traz os três minutos que foram cortados pela censura na versão original, devido às pressões da Liga da Decência Norte-Americana. Com isso, muitas coisas que o telespectador precisava adivinhar, agora ficam mais evidentes. A cena mutilada mostra a tensão sexual entre Blanche e Kowalski, que no filme são cunhados. Blanche Dubois é um dos personagens femininos mais interessantes da literatura moderna e, interpretá-lo é um presente para qualquer atriz. Vivien Leigh sabia o que tinha nas mãos e se entregou à personagem com uma intensidade impressionante.
A exemplo de Vidas Amargas e Sindicato de Ladrões, em Uma Rua Chamada Pecado, Elia Kazan mostrou que sabia fazer dramas como ninguém. O filme expõe de forma gritante todas as neuroses humanas que ficam evidentes nos diálogos de Blanche: Não quero realismo. Quero mágica ou Sempre dependi da bondade de estranhos. O filme é o encontro da fragilidade com insensatez, da realidade com a fantasia, da sensualidade com a decadência. É sem dúvida, o melhor momento na carreira de Marlon Brando.





