O CIRCO ROMPE AS DISTÂNCIAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de novembro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Não fosse a lona, o céu seria o vasto teto da Companhia Circoluz, que estréia hoje, às 19 horas, na praça central do Mercadão Popular, no Jardim Gabineto, no distante bairro de Campo Comprido, em Curitiba. Músicos, atrizes, malabaristas, uma equilibrista e uma dançarina ao todo oito artistas formam a trupe que apresentará o espetáculo Juntamente Separados, espécie de revista popular que fala sutilmente sobre os relacionamentos humanos.
Dentro do caráter itinerante, a montagem que conta com patrocínio do Banestado, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, segue amanhã para a Associação Desportiva do Jardim da Ordem, na Praça Central do Tatuquara, e no domingo estará na Vila Santa Rita, ao lado do Liceu do Ofício.
O objetivo deste circo é levar encantamento para as platéias carentes de trabalhos artísticos, confinadas no esquecimento. Há uma carência muito grande nesta área. As pessoas sonham com isso, diz o malabarista Daniel Alegretti, um dos criadores do Circoluz.
Alegretti morou alguns anos em Londres, e foi lá que aprendeu artes circenses. Há cerca de quatro anos voltou ao Brasil com uma namorada belga para desenvolver teatro de rua, e como aqui a realidade social é muito mais sofrida que lá, optou em levar a arte para quem está longe dela. Foi o início da companhia que se expandiu e hoje mantém uma escola circense, além de um instituto voltado ao desenvolvimento da arte e cultura para as áreas de menor acesso.
Juntamente Separados coloca em cena encontros e desencontros amorosos, mas sem uma mensagem explícita. Os quadros são distintos entre si, de muita beleza plástica. O cenário, com um banco de praça, sugere que a vida passa por ali, as dançarinas em cena dão a impressão de outros países, outros povos. Ou seja, conforme a leitura, pode-se até mesmo viajar mundo afora, sem perder de vista o moto contínuo do amor.
Tudo isso são intenções, porque não há discursos morais e intelectuais na função circense. A gente procura mostrar o que vai no coração com muito sossego, dando espaço ao silêncio, explica. Porém, nos bastidores da montagem tem desde a criação e confecção de cenários e figurinos até a composição musical e preparação vocal. Direção de Mauro Zanatta.
Esse grupo, cada vez mais numeroso, vem realizando atividades sociais que muitas vezes surpreendem. Em Mandirituba, na região metropolitana de Curitiba, desenvolveram num colégio projeto de aproveitamento de sucata para construção de instrumentos musicais e disso saiu uma banda. Uma peça teatral foi levada até no Instituto dos Cegos, com a ajuda de um narrador. Ficávamos imaginando como eles viam o espetáculo, conta Daniel Alegretti.
O líder do grupo avisa às pessoas interessadas em atuar em projetos afins desenvolvidos pelo grupo que o Instituto Circoluz está aberto a adesões. Também a colaborações, sugestões, doações e projetos. O telefone do instituto é (41) 362-5742. Quem quiser aprender a arte circense, pode ligar para (41) 338-6031, na Escola de Artes Circenses Circoluz, que funciona no bairro Bom Retiro. Atualmente cerca de 20 alunos terminam o ano letivo.


