O circo que desafia a lei da gravidade
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Katia Michelle<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Nada de cheiro de serragem, domadores arriscando a cabeça em boca de leão e muito menos poodles amestrados empinando bolas coloridas. O Circo Imperial da China troca os tradicionais animais de circo por elásticos seres humanos desafiando a lei da gravidade. O espetáculo, apresentado há quase dois mil anos, chega hoje em Curitiba e tem apresentações até domingo, no Teatro Guaíra. O Circo é uma espécie de cartão-postal da China e já se apresentou em 75 países, sempre mesclando a tradição milenar com a inovação tecnológica.
A Trupe Acrobática de Sheniang, que apresenta O Circo Imperial Chinês, é composta por 50 integrantes que mostram números que passam por contorcionismo, acrobacias, até malabarismos tradicionais e extremamente rigorosos, capazes de tirar o fôlego da platéia. O mais tradicional e talvez o mais esperado é o intitulado Balancing Chair, onde o bailarino Zhang Gong Li, de apenas 20 anos, se equilibra sobre uma pilha de cadeiras de dez metros de altura. No alto das dezenas de cadeiras, ele ainda equilibra, na boca, uma lâmida afiada. O número valeu ao rapaz a medalha de outro no Festival Mundial do Circo, no ano passado, em Paris.
Outra grande pedida são as pirâmides humanas, formadas por 21 acrobatas; os saltos dentros de argolas giratórias e os números de trapézio. Ao todo são 13 performances, mas este ano o País, que pela terceira vez recebe a turnê da companhia, vai poder ver três números inéditos. Um deles é intitulado A Sereia, onde uma acrobata é capturada por uma rede e tenta se soltar.
E para quem sente falta dos tradicionais animais, os quais se remete a idéia de um circo, eles aparecem de forma inusitada, quando os malabaristas equilibram réplicas das famosas estátuas dos leões de Pequim em bolas gigantes.
Todos as performances do circo são extremamente ensaiadas, incluindo até mesmo os eventuais erros milimetricamente simulados, que fazem o público prender a respiração diante das cenas.
Os chineses da trupe são bastante rigorosos nos ensaios. Para se ter uma idéia, os aspirantes a fazer parte da companhia são treinados desde os cinco anos. Nessa idade, eles são escolhidos em testes realizados por todo o País. Mas o privilegiados só entram para a companhia dez anos depois, quando já passaram por treinamentos diários e já têm controle de seus movimentos.
As primeiras apresentações do circo foram realizadas por volta de 221 a.C. Essa tradição mostra a paixão dos chineses pela arte milenar, uma das mais respeitadas no país. Com a turnê no Brasil, a trupe celebra os 190 anos de imigração chinesa no Brasil. Este ano, as apresentações começaram em São Paulo e ainda passam por Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Salvador e Brasília.
Serviço:
Circo Imperial da China, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Hoje e amanhã, às 21 horas. Sábado, às 17 e 21 horas; e domingo às 16 e 20 horas. Ingressos a R$ 30 (2º balcão); R$ 40 (1º balcão) e R$ 50 (platéia).


