O CINEMA VERDE-AMARELO NOS ANOS 90
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
A variedade da produção cinematográfica nacional está reunida nos 50 artigos de O Cinema Brasileiro nos Anos 90, livro que o advogado e jornalista Guido Bilharinho está lançando pelo Instituto Triangulino de Cultura, de Uberaba (MG). A obra faz parte da série Ensaio de Crítica Cinematográfica, que já lançou, do mesmo autor, os títulos Cem Anos de Cinema (1996), Cem Anos de Cinema Brasileiro (1997), e O Cinema de Bergman, Fellini e Hitchcock (1999).
O Cinema Brasileiro nos Anos 90 não pretende esgotar o assunto. Trata-se de uma coletânea de artigos críticos que englobam 50 produções nacionais. Eu lancei esse livro agora e já estou preparando o segundo volume, pois tivemos muitos filmes nessa década. Os artigos falam de 50 filmes, sem uma seleção prévia, explica o autor, em entrevista por telefone.
Os critérios de avaliação incluem a diferença entre intenção artística e comercial das obras. Bilharinho também destaca alguns filmes que, segundo ele, se incluem na história do cinema nacional e outros que buscam, forçadamente, uma internacionalização.
A maior parte desta produção é comercial, mas que mostra um tipo especial de espetáculo, tecnicamente bem feito e bem dirigido. Tem filmes que trazem a influência da telenovela. Em vez de o cinema influenciar a novela, vem ocorrendo o contrário. É um problema complexo, tanto no aspecto formal quanto no conteúdo, acentua.
Mas, em contraposição, o autor enxerga também obras mais incisivas: Crede-Mi e Sertão das Memórias são os melhores destes 50 analisados. São obras de criação pessoal e de conteúdo do ponto de vista formal. Uma característica própria desta década é a tendência internacionalizante, sem a preocupação de uma linguagem cinematográfica brasileira, como em A Grande Arte e em Jenipapo. Nós temos que procurar a identidade brasileira. Algo é universal quando você consegue procurar o sentido e o significado locais.
Entre os filmes analisados estão ainda Anahy de las Misiones, Baile Perfumado, Central do Brasil, A Ostra e o Vento, O Cineasta da Selva, Tieta do Agreste, Terra Estrangeira, O Quatrilho e Carlota Joaquina.
Ainda neste ano, Guido Bilharinho deve lançar, nos mesmos moldes, O Filme de Faroeste. Para o ano que vem estão programados mais dois livros: O Cinema Brasileiro nos Anos 80 e O Cinema de Buñuel, Kurosawa e Woody Allen.
O jornalista também é editor da revista de poesia Dimensão, que alcançou, em 20 anos de existência, repercussão internacional. O próximo número, que está no prelo, será o último. Guido Bilharinho pretende encerrar a publicação para se dedicar aos livros. A última Dimensão deve sair em abril.
O Cinema Brasileiro nos Anos 90 custa R$ 20,00 (mais despesas de envio) e pode ser adquirido no Instituto Triangulino de Cultura, Caixa Postal 140, CEP 38001-970, Uberaba/MG, telefone (34) 3312-1122.


