O cinema sem o gênio dos efeitos especiais
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha2 
Criador, entre outras coisas geniais, das arrepiantes criaturas de ''Aliens 2'', dos letais cyborgs de metal líquido de ''Exterminador do Futuro'' e dos T-Rex de ''Jurassic Park'', Stan Winston foi sem qualquer dúvida um autêntico gênio das técnicas visuais. Nominado por dez vezes ao Oscar de sua especialidade, Winston levou apenas quatro estatuetas. Merecia todas. Só não conseguiu criar um efeito qualquer capaz de neutralizar o câncer contra o qual lutou nos últimos sete anos e que finalmente o venceu domingo último em sua casa em Malibu, Califórnia.
Durante sua carreira iniciada nos anos 1970, Winston deu formas sensacionais às fantasias de George Lucas, Steven Spielberg, James Cameron e Tim Burton, esse time de diretores brincalhões que se especializaram em assustar bilhões de espectadores ao redor do mundo. Um visionário da técnica, Winston foi pioneiro na geração de imagens saídas do computador.
Bom que Spielberg e os demais favorecidos pela arte do gênio reconhecem e muito este talento, que deixa um legado inscrito para sempre na antologia de maravilhas do cinema. A propósito, o diretor de ''E.T.'' comentou tão logo soube da morte do amigo: ''Stan era um artista intrépido e de enorme capacidade criativa. Meu universo cinematográfico jamais seria o que é sem as criações dele. Do que mais sentirei falta será de seu sorriso toda vez que me dizia: 'nada é impossível'''.
Para muitos, o ponto alto de sua carreira foi a invenção dos cyborgs assassinos de ''O Exterminador do Futuro'', que lhe deu um dos Oscar. Apesar da doença, Stan tinha começado a trabalhar como supervisor dos efeitos do quarto filme da série, ''Terminator Salvation: The Future Begins'', atualmente em filmagens e com estréia prevista para 2009.
Ator da franquia, Arnold Schwarzenegger não escondeu sua tristeza e seu reconhecimento: ''O mundo do espetáculo perdeu um gênio, e eu perdi um de meus melhores amigos. Seu incrível trabalho e seus muitos prêmios falam por si mesmos, e viverão para sempre''.
Winston colocou todo seu talento a serviço da caracterização trabalhando lado a lado de Tim Burton para criar a estranha e metálica figura de ''Eduardo Mãos de Tesoura'' e o grotesco disfarce de Pinguim, o vilão de ''Batman Returns'' vivido por Danny DeVito. Quem quiser ainda conhecer um pouco da arte deste alquimista, dois de seus últimos grandes trabalhos estão nas telas do Catuaí: ele aperfeiçoou os trajes de alta tecnologia que cobrem Robert Downey Jr. em ''Iron Man'' e ainda supervisionou este derradeiro Indiana Jones.
Para Winston, o importante para um filme não era a tecnologia para criar monstros, mas um imaginoso escritor de histórias que soubesse inventar universos extraordinários. O resto, bem, o resto ele fazia com genialidade ainda maior, aliada à sua varinha mágica.


