O cinema salvou Bergman
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 1997
France Presse 
Estocolmo
Arquivo FolhaIngmar Bergman: Quero ser amigo de meus filhos e quanto mais envelheço, esses netos em torno de mim encantam minha vidaO cineasta sueco Ingmar Bergman afirmou numa entrevista que fazer cinema o salvou da loucura. Se não tivesse sido tão criativo, estaria em alguma parte, atrás de algumas grades, sacudindo-as, declarou o mestre da sétima arte, 79 anos, que interpreta o papel de um paciente de uma clínica psiquiátrica em seu último filme, Larmar Och Goer Sig Till (literalmente: Faz Barulho e Brinca o Idiota).
Este filme, que dirigiu e cujo roteiro escreveu, é o fruto de uma grande angústia, disse. No verão de 1993 estava convencido de que seria seu último roteiro.
Tinha um pressentimento muito nítido da morte. Mas não fui eu o atingido, mas minha mulher, explica o cineasta. Sua última mulher, Ingrid, com quem viveu durante 25 anos, morreu em maio de 1995.
O cineasta conta que ao perder sua mulher a dor o aniquilou, que se sentia como um trapo, buscando refúgio em sua casa de campo de Faaroe na ilha de Gotland, passeando pela praia, vivendo em um inferno confortável.
Depois de confessar que foi um pai muito descuidado e pouco atencioso para seus oito filhos, Bergman frisou que agora são muito importantes para ele graças aos seus netos. Quero ser amigo de meus filhos e quanto mais envelheço, esses netos em torno de mim encantam minha vida, disse.
Larmar Och Goer Sig Till, título inspirado num verso de Shakespeare (Macbeth), se desenrola nos anos 20 e conta a história de Carl Aakerblom, o tio materno de Ingmar Bergman, um inventor estranho que passou longos períodos em um asilo, e que pôde ser visto já em Fanny e Alexandre (1982).
Erland Josephson, 74 anos, interpreta um dos personagens principais, junto com Boerje Ahlstedt, Peter Stormare, Anita Bjoerck, Pernilla August e Lena Endre, estrela ascendente do cinema sueco.
Tal como outros filmes de Bergman, este, que fala de cinema e da vida cotidiana de um ator, oscila entre o sonho e a realidade. Sobre ele, a imprensa sueca foi toda elogios: Com palavras de uma grande simplicidade e profundidade, com imagens mágicas que parecem iluminadas por Rembrandt, Bergman deixa desenvolver sua imaginação em torno de luminosos personagens, escreveu o jornal sueco Svenska Dagbladet.


