O cinema por demanda
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Já pensou poder ver no cinema aqueles filmes que ficaram pouco tempo em cartaz, outros que saíram direto em DVD ou muitos que passaram pelas salas de projeção, só que em outras cidades? Pois é, isso já pode ser feito desde julho deste ano no Brasil. O MovieMobz incentiva a mobilização de entusiastas da sétima arte para se reunir e assistir as produções da preferência do público. Hoje, por exemplo, quem estiver em Curitiba poderá assistir ao videoconcerto ''Arctic Monkeys at The Apollo'', no Unibanco Arteplex.
''A gente costuma dizer que o melhor filme das nossas vidas a gente não assistiu, seja inédito ou 'Cidadão Kane'. O melhor filme das nossas vidas é aquele que virá e essa busca incessante é que cria essa relação especial entre o consumidor e o cinema'', reflete um dos criadores do MovieMobz, Marco Aurélio Marcondes, da área de distribuição de filmes.
Marcondes aliou sua experiência ao modelo de operação de filmes digitais introduzido por Fábio Lima e José Eduardo Ferrão, da Rain Network. A parceria facilitou o formato de atuação do MovieMobz, que lucra com a bilheteria. ''A distribuição do filme digital é infinitamente maior do que a do filme em película. O tráfego é de arquivos e não de cópias, com segurança'', explica Marcondes.
Para participar, o usuário precisa fazer um cadastro no site do MovieMobz (www.moviemobz.com) e criar um perfil, que dará acesso a uma lista de filmes preferidos, resenhas e comentários. O catálogo começou com 200 títulos e agora conta com mais de 900, disponíveis em mais de 169 salas em 24 cidades de todo o Brasil. ''Desses 900, temos 380 filmes contratados. A tendência é ampliar, porque houve um aprendizado de quem negocia esses direitos com o mercado digital'', nota Marcondes.
Em seguida, como o próprio nome do projeto sugere, os usuários precisam se mobilizar, preferencialmente em grupos, por meio do site, para que os filmes desejados ganhem votos suficientes para serem projetados em suas cidades. Curitiba, por exemplo, conta com três empresas ligadas ao MovieMobz (Unibanco Arteplex, Cineplex Batel e Cines Curitiba). Londrina, de acordo com Marcondes, ainda precisa preencher alguns requisitos burocráticos para receber a novidade. ''Temos 8,2 mil usuários e no Paraná 409, Londrina com 11 usuários e Curitiba com 365. Seria muito bom estar em Londrina, porque muita gente está perdendo. 'O Escafandro e a Borboleta', por exemplo, só foi lançando no Brasil em cinema digital'', diz Marcondes.
A mobilização no site serve como um termômetro para a empresa contratar e distribuir os filmes. A jornalista Mariana Sanches conseguiu trazer para a Capital o que gostaria de ver com a ajuda da comunidade curitibana no MovieMobz. ''Funciona como um 'Orkut' porque tem muitas comunidades ali, então você manda um convite de mobilização de um filme para uma comunidade de cinéfilos e todos votam. É um trabalho coletivo'', afirma. Aproximadamente 50 pessoas votaram a favor da exibição de ''Caótica Ana'', de Julio Medem.
A maioria dos títulos no catálogo do MovieMobz carregam um ar independente, sugeridos para quem aprecia mais os ''filmes de arte''. ''Até agora não vi nenhum blockbuster, são coisas que chamaram a atenção de cinéfilos e pessoas mais críticas'', comenta Mariana.
A desvantagem é a qualidade de alguns filmes que não foram gerados inicialmente em formato digital. A conversão das cópias para arquivos muitas vezes geram uma leve perda de informação. ''Alguns filmes projetados com tecnologia digital acabam perdendo um pouco a qualidade de som e imagem'', avalia.
Por outro lado, além do preço mais baixo, com ingressos a R$ 5 ou R$ 6, essas sessões ajudam a popularizar ainda mais a sétima arte, a gerar discussão. ''Esse fenômeno de mobilização gera um barulho, um sentimento de fazer parte, as pessoas sente que vão para fazer parte de algo nacional uma tendência. Também democratiza, não só pelo valor de ingresso, mas pela geração da informação'', pensa Mariana.


