Paulo Polzonoff Jr.
De Curitiba
Especial para a Folha
Uma cineasta ímpar, com uma arte ímpar, que apesar da idade de sua arte ainda permanece desconhecida do grande público. Trata-se de Lotte Reiniger, que nos anos 20 fez o primeiro de silhuetas do cinema, técnica na qual foi especialista. Para quem quiser conhecer a obra desta importante cineasta alemã, entra hoje em cartaz na Cinemateca de Curitiba ‘‘Lotte Reiniger’’, em parceria com o Instituto Goethe. A mostra vai até domingo e exibe 11 curtas e médias-metragens produzidos entre 1933 e 1971.
Lotte nasceu em Berlim-Charlottenburg em 1899. Ainda criança, se inspirou em Shakespeare para construir um teatro de sombras primitivo, que exibia para sua classe na escola. Aos quinze anos teve seu primeiro contato com o ator e diretor Paul Weneger, que a instruiu na então nova ‘‘sétima arte’’. Através de Weneger ela conseguiu um contato com o atelier experimental para filmes animados, fundado em Berlim por jovens artistas e cientistas. Foi ali que ela realizou seu primeiro filme, em dezembro de 1919, ‘‘O Adorno do Coração Apaixonado’’. Foi também nesta época que conheceu seu marido e principal colaborador, Carl Koch.
Em 1922, por motivos econômicos, Lotte e Carl assumiram o cargo de professores numa pequena escola privada. Este emprego, e também a ajuda do banqueiro berlinense, começou a dar forma num trabalho que durou três anos e que culminou com a obra-prima ‘‘As Aventuras do Príncipe Achmed’’.
Na progressista Berlim dos anos vinte, Lotte conheceu Bertold Brecht e iniciou uma ligação com o teatro que a influenciaria em seus próximos filmes. A partir desta época, os trabalhos de Lotte sempre estiveram inseridos num contexto mágico, tirados de mitos, lendas e libretos de óperas.
Com a ascenção do nazismo ainda em meados da década de 20, Lotte e Koch se mudaram para Paris, onde ‘‘Príncipe Achmed’’ tivera calorosa receptividade. Na França conheceram o cineasta Jean Renoir, com quem trabalhou no filme ‘‘La Marseillaise’’, de 1937. Ainda no exílio Lotte filmou ‘‘La Tosca’’, de Puccinni.
Em 1944 voltaram para Berlim, onde realizou o filme de silhuetas ‘‘O Ganso Dourado’’, baseado num conto dos irmãos Grimm.
Em 1948, Lotte mudou-se definitivamente para Londres, onde realizou uma série de filmes publicitários que lhe deram subsídios para fundar a Primrose Film Productions. A partir de 1953 Lotte realizou uma série de curtas baseado em contos clássicos da literatura mundial. Pela adaptação do conto ‘‘O Alfaiate Valente’’, Lotte Reiniger recebeu o prêmio de melhor curta no Festival de Veneza de 1953. Foi a primeira vez que seu trabalho teve reconhecimento internacional.
A partir de 1955 ela começou a fazer experiências com filmes de silhuetas coloridos. Louis Hagen, iminente diretor de cinema da época e que já havia trabalhado com Lotte em adaptações para teatro da obra de Oscar Wilde, sentindo a necessidade de registrar a arte da magistral diretora rodou o documentário ‘‘A Arte de Lotte Reiniger’’, no qual a própria artista conta a realização de sua obra.
Mostra de filmes de animação ‘‘As silhuetas de Lotte Reiniger’’. De 10 a 12 de setembro, às 20h30, na Cinemateca de Curitiba. Entrada Franca.

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