O Cinéfilo Fiel
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de junho de 2016
Por Carlos Eduardo Lourenço Jorge 
Alternativos em alta
Poderia ser mais frequente, com os multiplex deixando um pouco de lado essa mesmice sufocante, essa perversa política mais-do-mesmo para centrar fogo na diversidade temática, na variedade das origens (leia-se menos EUA e mais resto do mundo), no respiro humanista que não embota, não imobiliza, não boçaliza. Pelo contrário, alivia ao mesmo tempo que provoca. Poderia ser mais frequente, ajustar o foco em busca da alternatividade capaz de refrigerar as cabeças com personagens de carne e osso, que falassem naturalmente sem fantasias, sem qualquer influência de máquinas, mantendo prudente distância do universo estupidificante que preenche alta porcentagem de nossas telas.
O Festival Varilux coloca lentes à disposição desse tipo de bem de consumo cultural, dessa prestação de parte do serviço, embora com assiduidade controlada. Não que todos 15 filmes da mostra francesa iniciada ontem em 50 capitais e cidades do interior do País sejam imprescindíveis. Mas eles oferecem no mínimo caráter informativo, e vão mais além quando são de fato exemplares de qualidade e provas de existência de vida mais inteligente do que se propaga hollywoodianamente.
No Paraná, multiplex de Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Curitiba são beneficiários do programa de exceção que nesta e na próxima semana felizmente toma de assalto as salas de cinema. É bom ficar de olho nas várias alternativas de espaços e horários que os exibidores comprometidos com o evento providenciaram. Aqui na cidade, as sessões estão restritas aos Shoppings Royal Plaza e Aurora. Se catalogados por gênero, são 7 dramas e 7 comedias os filmes mantém prudente distância da rigidez desses rótulos , e uma animação. A pluralidade é fator vital para alimentar o interesse (e a recomendação) do público. Para conhecer por completo o quadro de ofertas do 7º Festival Varilux do Cinema Francês, versão londrinense, acesse os sites www.cineflix.com.br e www.cinemaslumiere.com.br/unidades-de-negocio/royal-plaza-shoping/
Outro olhar original
Este está restrito a Curitiba, e vai com certeza mobilizar interesses semelhantes aos despertados pelo Varilux. Mais apurados, é bem mais provável. É o 5º Olhar de Cinema Festival Internacional de Curitiba, aberto oficialmente ontem à noite com a exibição do filme "Operação Avalanche" (EUA, 2016), drama ambientado nos bastidores da Guerra Fria, anos 1960. Programação tão extensa (perto de 100 filmes) quanto excitante, esta do Olhar de Cinema, mostra que ameaça se tornar precocemente madura ainda na primeira infância, como enfatiza o editorial do programa: "A quarta edição foi a da leveza; com o terreno já bastante firme, era chegada a hora de se soltar, de pairar na atmosfera positiva que foi criada. Agora o momento é o da celebração, são cinco anos bem sucedidos de resistência, comprometimento, risco e aprendizado".
Durante os próximos dez dias, um público estimado em cerca de 20 mil pessoas vai conviver com o cinema mais interessante entre aquele que podemos chamar de circuito off blockbuster, ou algo que o valha, na via diretamente oposta ao cinemão comercial.


