Festival Varilux, sétima edição
Ainda falta uma semana, mas já está tudo pronto para começar mais uma edição do Festival Varilux do Cinema Francês. A maior e melhor novidade são os sete dias a mais que a organização incluiu na programação de 2016. Serão 15 filmes inéditos da recente produção francesa em exibição em salas de 50 cidades do país: 8 comédias (algumas salpicadas de drama), 6 dramas, uma animação e uma comemoração: os 50 anos de "Um Homem, Uma Mulher", clássico de Claude Lelouch, Palma de Ouro em Cannes-1966.
Entre 8 e 22 deste mês, os francófilos paranaenses de Londrina, Maringá, Curitiba e Ponta Grossa terão ao alcance imediato, em salas de multiplex diversos, as tendências atuais – nem todas, é evidente – do produtivo cinema francês. As cópias, para alivio das plateias alternativas, serão originais, legendadas em português. A premiada animação
"Abril e o Mundo Extraordinário" será a exceção, com cópias também dubladas. Como eventos paralelos, estão ainda programadas duas oficinas de roteiro, no Rio e em Recife, e um seminário de crítica cinematográfica no Rio, ministrado pelo crítico do jornal Le Monde, Jean Michel Frodon, ex-Cahiers du Cinema.
Em Londrina, os filmes da mostra Varilux poderão ser conferidos nas salas do Cineflix Aurora Shopping e do Lumière Royal Plaza Shopping. Os títulos para os londrinenses, no entanto, ainda não estão inteiramente definidos.

Ainda uma vez, Marilyn
Poucas, raras estrelas/atrizes do imaginário popular suscitam tanto interesse – leia-se especialmente mórbido – nove décadas depois de seu nascimento e cinquenta e quatro anos após sua morte. Marilyn Monroe era o exemplo perfeito de um coquetel absolutamente fascinante para o público: fama mundial, sensualidade sem freios, vida turbulenta, psiquê atormentada, suicídio prematuro – e o terrível quando se diz prematuro é que ele viria, mais cedo ou mais tarde – se for aceita a versão da overdose do psicotrópico Nembutal, desprezando-se a (muito plausível ) teoria da conspiração/assassinato.
Quando se observa qualquer seleção de fotos de Marilyn, descobre-se sem grande dificuldade algo de ensandecido e profundamente solitário na beleza das imagens.
Poderia a mulher mais desejada do mundo sentir-se tão sozinha quanto revelou o passar do tempo, do pouco tempo intenso que foi reservado a ela ? Aquela mulher que seduziu John e Bob Kennedy, Elia Kazan, Frank Sinatra, Yves Montand ou Marlon Brando teria motivos para se estilhaçar como o cristal? "Se as pessoas pouco sensíveis e muito inteligentes tendem a fazer mal aos outros, as pessoas muito sensíveis e muito inteligentes tendem a fazer mal a si mesmas", disse sobre ela o escritor italiano Antonio Tabucchi.
Se não tivesse sido arrancada, a vida de Marilyn poderia ter alcançado os 90. Uma data inexistente que se pode ainda celebrar, mas agora com um travo de nostalgia. Há um filme, um roteiro, escrito para ela por Arthur Miller, também seu marido. "The Misfits/Os Desajustados", que John Huston dirigiu em 1961. É um filme-epitáfio, um western outonal que literalmente sai da tela para a posteridade da fantasmagoria: com Marilyn contracenam um terminal Clark Gable (morto dias depois das filmagens) e um Montgomery Clift condenado à morte pelas drogas. Ela morreria no ano seguinte. Essa história de perdedores não faz mais que fornecer chaves, e todas conduzem ao final do caminho. A chave de Marilyn foi a inscrição latina que ela colocou na porta de sua casa tempos antes de morrer: "cursum perficio", ou "minha viagem terminou".

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