Entre 17 e 26 de agosto, o Festival de Cinema de Gramado vai celebrar seus 45 anos de vida. Quase meio século. Por tempo de serviço, perde apenas para os gigantes da plataforma principal onde brilham os europeus: Veneza, Cannes, Locarno, Berlim. Como seus pares ilustres, começou pequeno, com formato de mostra brasileira somente. Tudo começou em 1973: em janeiro, foram seis dias apenas, um/dois curtas e um longa nacional por noite. O acolhimento da cidade foi instantâneo, e logo o evento se firmou com a mesma importância do Festival de Brasília. Os anos 1970 e 80 foram decisivos para sua afirmação, e o salto maior veio em 1992, quando foi internacionalizado como competição latino-americana . De ontem para hoje, o crescimento, sentido e avaliado, ganhou brilho, disciplina e contenção sem deixar de incorporar novidades que a própria dinâmica do Festival vem impondo naturalmente.
A organização do 45º Festival de Cinema de Gramado apresentou durante coletiva em Porto Alegre a programação que promete agitar mais uma vez não apenas a Serra Gaúcha, mas toda a comunidade cinematográfica brasileira e latino-americana. Com certeza será uma edição festiva, provavelmente um pouco mais badalada do que as anteriores, mas sem que se esqueça que o homenageado principal neste aniversário é o cinema, e sua celebração será com a matéria-prima mais significativa que o momento reservou, falada em português ou em castelhano, as duas línguas que se confundem nesta parceria que não é somente artística, mas solidamente cultural.

A programação principal ficou assim definida:

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS: "A Fera na Selva" (RJ), de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel; "As Duas Irenes" (SP), de Fábio Meira; "Bio" (RS), de Carlos Gerbase; "Como Nossos Pais" (SP), de Laís Bodanzky; "O Matador" (PE), de Marcelo Galvão; "Não Devore Meu Coração!" (RJ), de Felipe Bragança, e "Pela Janela" (Brasil/Argentina), de Caroline Leone

LONGAS METRAGENS ESTRANGEIROS: "Los Niños" (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi; "Pinamar" (Argentina), de Federico Godfrid; "El Sereno" (Uruguai), de Oscar Estévez & Joaquín Mauad; "Sinfonía para Ana" (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito; "El Sonido de las Cosas" (Costa Rica), de Ariel Escalante; "La Ultima Tarde" (Peru), de Joel Calero; "X500" (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango
Abrindo oficialmente a programação de longas do 45º Festival de Cinema de Gramado, "João, o Maestro", do diretor Mauro Lima ("Tim Maia", "Meu Nome Não é Johnny"), será exibido hors-concours no dia 18 de agosto. Estrelado por Alexandre Nero, o filme é baseado na vida do pianista brasileiro João Carlos Martins, um dos poucos músicos a gravar a obra completa de Bach. Os atores Rodrigo Pandolfo, Alinne Moraes e Caco Ciocler também fazem parte do elenco.

Em uma iniciativa inédita, o Festival de Cinema de Gramado apresenta o Canadá como país convidado de honra. Além da presença do consulado e de uma delegação que acompanhará de perto a programação do evento, o Canadá também trará para Gramado sua expertise na produção audiovisual com seminários e workshops ministrados por prestigiadas instituições de ensino do país. O cronograma de atividades já está sendo definido pela embaixada do Canadá no Brasil junto à Gramadotur. O convite para ser o país convidado de honra do Festival de Cinema de Gramado vem em um momento festivo para o Canadá, uma vez que, em 2017, é comemorado o sesquicentenário do país. A novidade envolvendo o Canadá aponta para um caminho que Gramado vem trilhando nos últimos anos: o de uma internacionalização ainda mais ampla e dialogante. "Esse desejo começou ainda em 2012, quando exibimos ‘360’, de Fernando Meirelles, um diretor que dialoga com o mundo. Ali já plantamos uma semente: de repente, deixamos de lado um perfil umbilical e abrimos o Festival naturalmente para o mundo. Ano a ano, procuramos trabalhar isso cada vez mais, e, por estarmos em uma edição festiva de 45 anos, apostamos em reforçar a ideia da internacionalização. Sempre que for possível, necessário e interessante, embarcaremos nessa proposta, que tem se revelado uma vocação de Gramado e da indústria cinematográfica", comenta um dos curadores da mostra, Marcos Santuario.

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