É inegável o sucesso dos shows de stand-up comedy no Brasil nos últimos anos. Porém, junto com esse estilo, os vídeos engraçados na internet também vieram com força total, transformando a forma de fazer humor no País. Vão desde produções mais elaboradas, com roteiro e direção, até os vloggers independentes, que falam de tudo, ou nada. Basta usar um serviço de streaming de vídeo – o mais popular é o YouTube -, para, depois, abusar das redes sociais para a divulgação das gravações.
Alguns já faturam milhões gerados pela monetização resultante do número de acessos, como é o caso do grupo "Porta do Fundos", que contabiliza quase 11 milhões de inscritos e mais de 2 bilhões de visualizações. Estima-se que o valor da marca ultrapasse os R$ 500 milhões.
No caso da nova geração de humoristas da internet, o canal 5inco Minutos, da vlogueira Kéfera Buchmann, de Curitiba, está no topo do ranking entre os canais com maior número de inscritos - quase 7 milhões de pessoas e 548 milhões de visualizações.
Com a democratização desses sites, especialmente por serem gratuitos, outros muitos grupos e humoristas vieram na onda e estão tentando seu lugar ao sol. O mais novo deles é o canal "Chulé Vermelho", grupo idealizado por dois londrinenses, e que já está causando um burburinho local, sobretudo por terem uma peculiaridade: satirizar os problemas da cidade.
O primeiro vídeo, postado no início de outubro, faz piada de uma enorme trinca num viaduto da PR-445 que apareceu antes mesmo da obra ser entregue, e teve centenas de compartilhamentos.
Fabricio Santesso e Filipe Câmara contam que a ideia de lançar um canal era antiga, mas faltava tempo para produzir algo de qualidade. "Há muitos anos idealizava algo bem estruturado, com produção e direção. Contudo, para isso, precisava me dedicar", conta Santesso, que é publicitário e há anos trabalha no ramo de propagandas de vídeo. O projeto começou a sair do papel quando se encontrou com Filipe Câmara e as ideias de ambos se encaixaram. "Já conhecia o trabalho dele como ator e roteirista. Ele topou o desafio e começamos a sistematizar o grupo."
Como o trabalho é independente, procuraram produtoras que entrassem como parceiras, como a Klaxon Filmes e Sintagma Mídia, e esperam que outras ingressem também. "Elas nos ajudam com a parte técnica da gravação. Os atores também ingressaram de forma independente. Eu e o Filipe entramos com os roteiros, direção e edição. Por enquanto, cada um doa seu trabalho", revela.
O grupo está com um elenco fixo de sete atores. Até o momento, já foram quatro esquetes produzidas: "Rachadura", "Isso eu não admito", "Plantão se Fedeu: UPA concorre à fila mais demorada do mundo" e "A volta"; todos com temáticas locais. O canal possui quase 14 mil visualizações.
"Rachadura", primeiro lançado, é o mais visto até agora. Nele, o responsável pelo viaduto – um estagiário – dá uma entrevista tranquilizando a população, garantindo que o viaduto não vai cair, pelo menos pelos próximos seis meses. Ao fundo, atores representando um padre católico, um pastor evangélico e um representante do candomblé rezam e benzem o viaduto.
A previsão é de que o próximo vídeo esteja no ar na primeira semana de janeiro. "Vamos falar sobre a construção do Teatro Municipal de Londrina, que está praticamente abandonada", adianta Câmara, complementando que, primeiramente, querem ter um trabalho sólido na cidade e regionalmente, para, depois, expandir para o País.
A ideia é de que um vídeo seja lançado por mês, mas a vontade é que, em pouco tempo, torne-se semanal. "O canal cresce a cada dia e temos esperança, também, de que os empresários atentem-se para esse novo modelo do mercado publicitário e invistam na estética do humor. O futuro da propaganda é o entretenimento, a diversão."

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