O charme centenário de Paraty
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Um pouco da história do país - preservada em centenárias edificações -, praias, cachoeiras e passeios pela costa a preços acessíveis. Tudo isso reunido em uma das mais charmosas cidades fluminenses: Paraty.
Considerada Patrimônio Histórico Nacional desde 1966, esta bela cidade colonial situada ao sul do estado do Rio de Janeiro, preserva os casarões e igrejas construídas entre os séculos 17 e 18. Paraty, fundada em 1667, também foi peça importante em dois ciclos econômicos, o da cana-de-açúcar e posteriormente no escoamento do ouro e pedras preciosas de Minas Gerais para Portugal.
Os valiosos minérios atraíram piratas que se refugiavam nas praias de Trindade (a 30 quilômetros do Centro Histórico). Estas investidas fizeram com que a rota do ouro fosse mudada, o que provocou o isolamento econômico de Paraty. A economia local somente retomou o fôlego em meados da década de 70, com a abertura da estrada Paraty-Cunha e a construção da Rodovia Rio-Santos, transformando a cidade em pólo de turismo.
A maçonaria também deixou importantes marcas em todo Centro Histórico. Os sobrados exibem desenhos geométricos em relevo e as esquinas apresentam um aspecto arquitetônico em ângulo vivo, com três cunhais (colunas) de pedra, sendo o quarto ângulo no mesmo estilo, formando um triângulo imaginário, símbolo da maçonaria.
O calçamento desta parte da cidade, conhecido como ''pé de moleque'' e construído nos idos de 1820, é uma atração à parte. Pedras cuidadosamente encaixadas apresentam uma depressão do meio fio que permite a invasão das águas do mar em marés altas. Em determinados períodos do ano, as ruas ficam cobertas por uma lâmina d'água.
A proibição para o trânsito de veículos dentro do Centro Histórico - as ruas são fechadas com correntes e o acesso é permitido por quatro ruas que circulam o complexo - nos remete ainda mais no tempo. Sem os veículos, é possível caminhar calmamente pelas ruas, tomadas pelas lojas de produtos regionais, como a famosa aguardente, instaladas nas antigas residências que mantém coloridas fachadas originais. Há também lojas de artesanato, decoração e roupas.
Nas vias de acesso ao Centro Histórico é preciso prestar atenção em onde estacionar os carros. Segundo os paratienses, a partir de março, quando a maré começa a subir, é comum a água atingir os veículos.
Também vale a pena visitar o Forte Defensor Perpétuo, construído em 1703 no Morro do Forte, para defender a baía de Paraty dos ataques piratas. Hoje, o forte (aberto para visitação somente de quarta a domingo) abriga o Centro de Artes e Tradições Populares de Paraty.
A cidade ainda conta com várias pousadas e estrutura de turismo como o Centro de Informações Turísticas (no portal de entrada de Paraty), que oferece informações sobre os principais locais rede bancária, hospital, farmácias e mercados.


