O céu por imagens
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de dezembro de 1997
Marcos Losnak Especial para a Folha2 
ReproduçãoA regra básica de
quase a totalidade
das religiões é o
amor ao outroReligião é como coração, cada um tem o seu. Cada um pode pulsar em ritmos diferentes, mas todos possuem um objetivo em comum, manter o corpo vivo.
As religiões moldaram as culturas e foram moldadas por ela. Suas diferenças estão na linguagem que utilizam. Suas igualdades estão no diálogo com os deuses. Conhecer suas cosmologias é entrar em contato com a essência dos sentimentos humanos.
O livro Para Entender as Religiões de John Bowker lançado pela Editora Ática oferece uma ótima oportunidade neste sentido. Utilizando uma rica iconografia - que inclui pinturas, esculturas, tapeçarias, mapas, livros sagrados, fotografias, arquitetura, etc. - o autor compõe um didático painel das principais correntes religiosas da história da humanidade. Uma límpida abordagem cultural e antropológica destinada ao leitor comum que não possui paciência para ler os extensos volumes acadêmicos de História das Religiões.
Para Entender as Religiões - cujo título original é Annotated World Religions - segue os mesmos moldes de Para Entender a Arte, obra que se tornou best seller em 1996 também publicada pela Ática. O livro possui a assinatura da editora inglesa Dorling Kindersley, responsável pela criação de uma impecável didática estética que se tornou referência gráfica obrigatória para o mercado editorial mundial.
A obra oferece informações básicas sobre as religiões egípcia, grega, romana, céltica, zoroastrismo, hinduísmo, jainismo, budismo (chinês, japonês e tântrico), sikhismo, cristianismo, judaísmo, islamismo, taoísmo, confucionismo, xintoísmo, além das chamadas religiões nativas, ou indígenas, como o xamanismo. Em algumas destas doutrinas o professor John Bowker oferece informações mais completas, como no caso das mais tradicionais como judaísmo, cristianismo, islamismo, budismo e hinduísmo.
Origens A religião pode ser descrita como a radiografia do espírito de uma cultura. A própria palavra religião era inexistente nas culturas gregas e romanas, matrizes da cultura ocidental. O vocábulo latino religio designava algo realizado com extrema minúcia, um escrúpulo para com o detalhe. O vocábulo passou a significar o entendemos hoje por religião devido ao extremo rigor de detalhes exigidos nos rituais de sacrifício oferecidos aos deuses tanto na Grécia como em Roma. A palavra também deriva do verbo latino religare que significa unir duas coisas próximas. Esse seria a origem da palavra religião mais divulgada, entendido como o religamento dos homens com os deuses, subtendendo-se que, numa situação anterior, deuses e homens eram extremamente ligados, unidos. Pode-se dizer que o cristianismo foi quem fez mais uso do termo: homens e Deus viviam ligados no paraíso mas, com a expulsão de Adão e Eva, a humanidade precisou criar a religião para se religar a Deus.
O que quase a totalidade as religiões pregam é um conjunto de regras que visam a sobrevivência de seus seguidores e como regra básica, o amor ao outro. Jesus dizia ame o próximo como a ti mesmo; Maomé proferia nenhum de vós sois um crente até devotar pelo próximo o amor que devotais a vós mesmos; Buda deixou claro não firais os outros com o que voz fere; no Mahabharata está escrito não façais aos outros o que, se fosse feito por vós, vos causaria dor; o mestre judeu Millel afirmava o que é odioso a vós, não façais aos outros; a moral básica de Confúcio era o que não queres que façam a ti, não faças aos outros. Mesmo assim, em nome da religião, uma infinidade de pessoas foram e são mortas. A dualidade dentro do próprio bem.
Para Entender as Religiões - de John Bowker, Editora Ática, tradução de Cássio de Arantes Leite, consultoria de Paula Montero, 200 páginas. R$ 42,00/Livraria Rosa do Povo.


