Desde o começo do ano a Escola St. James', de Londrina, está investindo em um projeto extracurricular com o objetivo de estimular alunos do nono ano do ensino fundamental 2 e do ensino médio a ter mais interesse pelo conhecimento científico e participar das Olimpíadas Científicas que acontecem no decorrer do ano nas áreas de Física, Astronomia e Astronáutica, Matemática, Robótica e Foguetes. Sob a coordenação do professor Leandro Bento, da área de Física, além do estímulo à aprendizagem, a atividade diferencia-se pela metodologia, que tem como proposta sempre realizar experimentos práticos – como a confecção de protótipos de foguetes com material reciclável - e aproximar o contato dos alunos com pessoas que lidam no seu dia a dia com esse tipo de saber. As atividades também pretendem desenvolver diversas competências, como a iniciativa, a criatividade, o raciocínio lógico, o senso crítico, a determinação e a organização.
Recentemente, os alunos participaram de um bate-papo virtual – via Skype – com o astrônomo amador Cristóvão Jacques, um dos responsáveis pela descoberta do primeiro cometa "brasileiro". Batizado de C/2014 A4 – Sonear, ele foi visto ainda pelos astrônomos amadores João Ribeiro e Eduardo Pimental, no dia 12 de janeiro, em uma das varreduras no céu realizadas pelo observatório particular do trio, instalado na cidade de Oliveira (Minas Gerais). A descoberta foi confirmada pela União Astronômica Internacional no dia 16 de janeiro. "O foco é motivar a pesquisa, a curiosidade e o conhecimento e acho que é uma oportunidade muito legal eles poderem ter um contato mais pessoal com um astrônomo. É um estímulo a mais", diz o professor Leandro Bento, que conhece Jacques devido a trabalhos realizados juntos na Fundação Astronauta Marcos Pontes, em São Paulo.
A partir de perguntas elaboradas com o auxílio do professor, o grupo de 20 alunos participou do evento realizado no auditório da escola. Durante a conversa, Jacques falou sobre o seu interesse por Astronomia - que começou quando ainda era criança - e da dificuldade que havia no País de se encontrar material de pesquisa disponível em português. Formado em Engenharia Civil e Física, Jacques atuou também nas áreas de Computação e Contabilidade e diz que a motivação dele e de seus amigos pela pesquisa científica não visa retorno financeiro e que até agora não receberam nenhum tipo de incentivo do governo. "Construímos o telescópio com nossos próprios recursos e acho que já gastamos mais de R$ 100 mil", conta.
Segundo ele, o objetivo principal do laboratório de observação criado por ele e seus amigos – um advogado e um professor - é fazer um patrulhamento dos asteroides que se aproximam da Terra, até mesmo como um trabalho preventivo pela segurança dos habitantes. "O meteorito que caiu na Rússia, ano passado, deixou mil feridos devido aos estilhaços de vidro que as ondas do impacto causaram e chamou a atenção das pessoas sobre esse risco. A nossa intenção é poder contribuir com o nosso trabalho para evitar isso", afirma Jacques. Já a descoberta do primeiro cometa "brasileiro" foi um bônus, um presente, dentro dessa busca. "Era algo que a gente não esperava. É como se estivéssemos em um garimpo e descobríssemos um diamante", brinca. Vale lembrar que a "nacionalidade" do cometa está relacionada ao fato de ter sido visualizado pela primeira vez no Brasil e por astrônomos brasileiros. Algo até então inédito.
E quem pensa que vida de astrônomo é ficar o dia inteiro olhando um telescópio está enganado. Com o advento da internet e novas tecnologias, os equipamentos podem ser monitorados a distância. Descobrir a órbita dos asteroides, verificar o risco deles se chocarem com a Terra e estudar as possibilidades de desvio parecem coisas de filme de ficção científica, mas fazem parte da rotina desses pesquisadores. "De qualquer forma, há sempre muito trabalho envolvido", lembra Jacques.
O astrônomo amador também fez questão de ressaltar para os alunos a importância de valorizar os mais diferentes conhecimentos e saber inter-relacioná-los. "Quando era criança, não entendia muito bem por que precisava estudar tanto o português, já que gostava mais da área de exatas, e hoje vejo o quando isso fez e faz diferença na minha comunicação, na minha vida profissional", avalia. Sobre a escolha profissional, o recado também foi pertinente: "Fiz várias cursos e ainda estou em busca do que mais gosto de fazer. Às vezes queremos acertar de primeira, mas a vida é cheia de mudanças. O importante é vocês buscarem a realização pessoal e o retorno financeiro é uma consequência disso", sugere.

OLIMPÍADAS CIENTÍFICAS
A maratona das principais olimpíadas científicas do País estão prestes a começar e, na opinião do professor Leandro Bento, elas são um estímulo importante para a descoberta de talentos e aptidões em áreas específicas. "Procuramos fazer atividades bem interativas e em vários locais da escola. A ideia principal é motivar o aluno, plantar a semente da curiosidade", afirma. Um bom desempenho nas provas científicas também pode ser a porta de entrada para fazer cursos fora do País. Conhecer o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (Ita) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também faz parte das premiações.

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