Existem poetas que escrevem com palavras. Existem poetas que escrevem com ideias. Também existem poetas que escrevem com paixão.

O curitibano Antonio Thadeu Wojciechowski se encaixa perfeitamente no perfil desses três tipos de poetas. Mas a paixão fala mais alto em sua nova obra, “Poemas de Amor Ainda”, que será lançada na sexta-feira (20), em Curitiba, no Jakers.

Publicado pela editora Bernúncia, a obra reúne sua mais recente produção, grande parte veiculada originalmente nas redes sociais. São poemas que se abordam as infinitas possibilidades de amor.

Nascido em 1950, em Curitiba, Antonio Thadeu Wojciechowski desenvolveu uma literatura com alto grau de comunicação com o leitor. Autor de mais de 30 livros, possui a poesia como elemento soldado à sua existência ao longo de décadas. A seguir Wojciechowski fala sobre seu novo livro e o arrebatamento poético.

Por que escrever sobre o amor ainda?

O tema “amor” com certeza é o assunto do coração do mundo, todas as pessoas amam se envolver com suas possibilidades infinitas. Ilusões, encantos e desencantos, dores, alegrias, sofrimentos, ciúmes, segredos, mortes, suicídios, o amor é uma fábrica de loucos. Mas tem o outro lado também. O Leminski dizia sempre que a coisa mais difícil nessa vida é encontrar o seu grande amor. E completava: alguém pode imaginar uma forma mais harmoniosa e perfeita de felicidade do que um casal de velhinhos de mãos dadas admirando um pôr do sol?

Grande parte dos poemas que integram o livro foi veiculada originalmente nas redes sociais. Como foi colocar os poemas diretamente nas redes sociais onde os comentários são imediatos e intempestivos?

É muito engraçada essa relação, mas acontece uma coisa muito importante: o feedback instantâneo. Apesar de em algumas vezes ser um tanto superficial, na maioria dos comentários há uma demonstração clara de sentimentos e isso foi muito especial. Frases como “você disse exatamente o que eu estou sentindo”, ou “só você para dizer o que estou pensando” ou “parece que você leu meu coração” apareceram às centenas. Nesses 10 anos de postagem de centenas e centenas de poemas, recebi milhares de manifestações, compartilhamentos e likes. Mas alguns poemas se diferenciaram e conquistaram realmente o amor do público e estão nesse livro, na sua concepção. É como se o livro fosse deles também. Então em meio a toda essa idiotia, crueldade, ódio, em que as redes sociais foram transformadas, falar de amor foi a coisa mais revolucionária que eu pude pensar. Um contraponto à mediocridade.

Antonio Thadeu Wojciechowski: "Pouca gente entende que para uma rima não se esfarelar ao final do verso ela tem que ser surpreendente"
Antonio Thadeu Wojciechowski: "Pouca gente entende que para uma rima não se esfarelar ao final do verso ela tem que ser surpreendente" | Foto: Alessandro Wojciechowski/Divulgação

Nos versos de “Poemas de Amor Ainda” você fez uma declaração de amor ao mundo, à vida. Você se considera um poeta otimista diante do precipício?

Um dos grandes amores da minha vida é a poesia, respiro desde meus seis anos essa estranheza perplexa diante do mundo. Ler os clássicos, traduzir alguns como Dante, Maiakóvski, Yeats, Shakespeare, Rimbaud, Baudelaire, Bashô, Mallarmé, Goethe, Emily, Wislava, e trazê-los para bater um papo na esquina com os amigos me deram essa consciência universal. Sou um gourmet dessas coisas, catador de estrelas e maravilhas, se vejo ou ouço alguma coisa inteligente ou sensível me ouriço todo. Amo a vida profundamente, amo o povo brasileiro e respeito profundamente, amo a minha língua. E creio que esse amor se espalhou pelas páginas desse livro. Não sou otimista, sou apaixonado. Estupidamente apaixonado.

Por que a linguagem possui lugar de destaque em sua literatura?

Sou um estudioso e adoro desafios. Trazer formas, fôrmas, fórmulas, que são a própria história da poesia, dando-lhes o sabor fresco da fala, da sintaxe afetiva que usamos em nossas relações do dia a dia, foi, pelo menos para mim, uma experiência muito significativa. As métricas clássicas, submetidas a esse linguajar, dançam bonito e é muito legal porque as pessoas, lendo, são levadas pela cadência e não percebem todo esse trabalho de colocar cada sílaba no seu devido lugar. Pouca gente entende que para uma rima não se esfarelar ao final do verso ela tem que ser surpreendente, tem que vir sustentada por uma ideia sonora, imagética, reveladora.

O que você considera que a poesia pode oferecer ao mundo atual?

Acho que a poesia é uma forma de redenção do ser humano, um prazer da alma, que, por ser inútil, se torna vital. Essa possibilidade de fruição do novo, do belo, do revolucionário, essa coisa sem preço, sem classe social, sem limites é o ar que precisamos para nos renovar como pessoas, como seres humanos. Não dá para viver sem empatia, sem solidariedade, sem pertencimento. Nós somos somas, não divisões. O outro sou eu também.

Fragmento

VIVER É MELHOR DO QUE NADA


Não me alugo com picuinhas e aleivosias,
minha dor já é demais pro meu tamanho.
A ninguém culpo, sou dono do meu dano,
diretor absoluto das tristezas e alegrias.

Se errei, quando, sem querer, acertei no alvo;
acertei em cheio quando fiz do erro uma lição.
Sentimentos são antenas da intuição;
instintos, as divindades que me põem a salvo.


Escrevo o que me sangra e expõe a ossada,
o resto é literatura ego-lírica-confessional.
Experimentar a morte faz parte do meu ritual,
ilusões caem na real e dão de cara com o nada.


E se agora te dou minha palavra mais amada
não ponha nela uma segunda intenção.
O que te revelo perfuma o meu coração:
sonhos de amor que entrego de mão beijada!

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. | Foto: Divulgação

Serviço:

“Poemas de Amor Ainda”

Autor – Antonio Thadeu Wojciechowski

Ilustrações – Pryscila Vieira

Editora – Bernúncia

Páginas – 320 (capa dura)

Quanto – Gratuito

Lançamento:

Dia 20 de setembro, a partir das 20h

Jokers – Rua São Francisco, 164 – Curitiba

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