Um dos clássicos da literatura infantil, "O Pequeno Príncipe" foi inspirado em aventuras vividas por Antonie de Saint-Exupéry, autor do segundo livro mais vendido do mundo. A maioria das histórias narradas em suas obras referem-se ao período em que ele trabalhava como piloto do Correio Aéreo entregando correspondências entre a Europa e a América do Sul nas décadas de 1930 e 1940. Representado em cena por bonecos de madeira, o francês volta a fazer voos rasantes como personagem principal da peça "Um Príncipe Chamado Exupéry". Encenada pela Cia Mútua, de Itajaí (SC), a montagem será apresentada de hoje a sexta-feira, às 19 horas, na Usina Cultural, dentro da programação do Filo 2015.
A viagem do público ao universo da aviação desbravado por Exupéry já começa na entrada do espaço onde a peça é apresentada. A plateia é recebida em um ambiente que reproduz um grande hangar. O cenário do palco reproduz parte do roteiro percorrido diariamente pelo destemido piloto, pioneiro da aviação, que se dividia em viagens pela Europa, África e América do Sul entre os anos 1926 a 1944.
"Estávamos pensando em fazer uma peça sobre 'O Pequeno Príncipe'. Mas durante as pesquisas sobre o autor do livro descobrimos que ele era o próprio personagem da obra. Por meio de reportagens da época ficamos conhecendo diversas aventuras vividas por ele como carteiro aéreo. Inclusive o fato de que Florianópolis fazia parte de seu roteiro como piloto quando fazia entregas de correspondências no Brasil", conta Guilherme Peixoto, dramaturgo da Cia Mútua e autor da peça em parceria com Mônica Longo e Willian Sieverdt.
"Ele já era escritor na época que trabalhava como piloto aéreo e usava suas viagens como cenários e temas das histórias que criava. Ficamos muito felizes ao saber que uma delas se passou bem pertinho da gente. Exupéry tinha um amigo pescador chamado Deca, que vivia em Florianópolis. Os dois saíam para pescar juntos e se comunicavam por gestos já que um não falava a língua do outro. Acabamos entrevistando a esposa do catarinense e chegamos a um livro escrito pelo filho dela que narra a amizade entre o pai e o piloto chamado "Deca e Zé Perry", que é como Exupéry era chamado pelos pescadores. Enfim, fomos descobrindo episódios encantadores e resolvemos contá-los na peça", detalha.
No palco, as aventuras de Exupéry são revividas por meio de bonecos e aviões manipulados pelos atores do grupo catarinense. "Criamos cerca de 20 bonecos e aviões de vários tamanhos e através de efeitos cênicos levamos os espectadores a uma viagem visual, sonora e emotiva. Recriamos um cenário que remete ao princípio da história da aviação, que começou em 1920. Naquela época, os aviões pareciam feitos de papel ", afirma Peixoto.
Após um ano e quatro meses de pesquisas, "Um Príncipe Chamado Exupéry" estreou em 2010, na cidade de Itajaí. Nos últimos cinco anos a peça foi apresentada em diversos festivais no Brasil e no exterior. Fundada em 1993, a Cia Mútua, de Santa Catarina, pesquisa o teatro de animação há 13 anos. Em seu repertório, tem trabalhos premiados, como "El Gran Circo - Teatro de Luvas", "Exílio(s)", "Flashes da Vida", "Felizes para Sempre", "Teatro Lambe-lambe" e "A Caixa".

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