O CÉREBRO DA LOURA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<bR>De Londrina - Especial par a Folha 2 
Estudar Direito em Harvard e provar ao ex que é uma garota de valor, independente da cor do cabelo cobrindo um cérebro a respeito do qual pairam dúvidas da vizinhança. Este é o plano - ''brilhante'', segundo a moça - concebido logo de cara pela superpopular Elle Woods em ''Legalmente Loura'', uma das estréias de hoje no circuito nacional (veja a programação de cinema na página 6). E lá vai ela, toda coordenada em cor-de-rosa a bordo de seu Porsche conversível e de seu chihuahua, além do óbvio celular e da revista Cosmopolitan. A meta: demonstrar, se possível ao mundo, que ela e todas de sua configuração têm capacidade de ir longe, muito longe. Mas apesar de uma proposta aparentemente libertária, o filme não está na linha de frente da emancipação. É só seguir os passos dos personagens femininos em cena
Após levar à histeria o professor Matthew Broderick em ''Eleição'' (99), Reese Whiterspoon está de volta à escola em ''Legally Blonde'', agora no campus de Harvard e transformada em caçadora de diploma. Uma visão mais acurada do espectador não tarda a descobrir o que é de fato este filme escrito pela mesma turma de ''Dez Coisas que Eu Odeio Nela'', excluído o diretor Robert Luketic: um inofensivo bom-bom adocicado para adolescentes entre 14 e 18 anos, louras, morenas ou ruivas. Muito mais uma lição de frivolidades do que uma fábula sobre o sucesso pessoal. O jogo de cena de Reese Witherspoon, a nova serial darling dos americanos, no vácuo imediato de Gwineth Paltrow e Sandra Bullock, beira a caricatura, e os personagens periféricos incorrem no velho equívoco do quanto mais estereótipos melhor: sim, há uma morena malvada, uma bobona e um enganador de sorriso imaculado. A história transita por todos os meandros do convencionalismo, e aqui e ali podem ser pescados alguns diálogos amáveis e algumas gags mais espirituosas.


