A morte de Roy Rogers, o motorista que virou o rei dos caubóis, exibido nas telas de cinemas de todo o mundo, abalou os fãs do ator nos Estados Unidos. Durante três décadas, Rogers foi o maioral entre os caubóis, idolatrado por milhões de fãs, especialmente os de cidades pequenas dos Estados Unidos, que lotavam os cinemas nas décadas de 30 e 40 para vê-lo em ação com seu cavalo, Trigger, e seu cachorro, Bullet. O fenômeno repetiu-se quando ele se transformou em herói da TV. As novas gerações americanas, porém, conhecem seu nome do letreiro de uma rede de lanchonetes. A última vez que se apresentou foi no ano passado, ao lado de Dale Evans, sua mulher e parceira, dias antes de o casal comemorar seu 50º aniversário de casamento.
DivulgaçãoRoy Rogers e Dale Evans: amor e longa parceriaLeonard Franklin Slye, o Roy Rogers, nasceu em Cincinatti, Ohio, no dia 5 de novembro de 1911, e tinha ascendência índia. Ele abandonou a escola para ajudar a sustentar a família e partiu para a Califórnia, em plena Depressão de 1929. Ganhou a vida como colhedor de pêssegos, aprendeu a cantar e a tocar violão e fundou um grupo, o ‘‘The Sons of the Pioneers’’, que excursionava pelo Oeste.
Sua grande chance chegou em 1938, quando foi convidado para substituir Gene Autry no filme ‘‘Under Western Stars’’. No fim daquele mesmo ano, já firmara sua parceria com Trigger, seu cavalo e caminhava para a fama. ‘‘Era uma época fantástica, em que os mocinhos venciam os bandidos e as crianças nos viam como heróis de verdade’’, declarou certa vez. ‘‘Quando eu era criança, meus pais me ensinaram que atingir um homem abaixo da linha da cintura era um ato de covardia’’, explicava.
Naqueles dias, Rogers não podia nem mesmo dar um beijo na testa de Dale sem receber milhares de cartas de protesto. ‘‘Só podia beijar o cavalo’’, dizia. Rogers não se conformava com as novas produções de Hollywood, nas quais via violência demais. Em seus filmes Rogers preferia atirar na arma do bandido e não em seu oponente. ‘‘Não acredito que esses filmes violentos possam ser considerados entretenimento de forma alguma.’’
Rogers conheceu Dale em 1944, no set de ‘‘The Cowboy and the Se¤orita’’, o primeiro filme da dupla. Ele era casado e tinha duas filhas, Cheryl e Linda. Dale, cantora de rádio, tinha um filho adolescente e havia sido abandonada pelo marido. Em 1946, porém, a primeira mulher de Rogers, Arlene, morreu após dar à luz Roy Jr. No ano seguinte, enquanto estavam a cavalo, preparando-se para um show em Chicago, Rogers pediu a mão de Dale. Os dois casaram-se na véspera do ano-novo, no rancho do ator, Flying L, perto de Oklahoma City.
Em 1967, ele e a mulher inauguraram um museu Roy Rogers perto da casa em que moravam, apresentando uma série de objetos do personagem. Até mesmo Trigger, o cavalo que morreu em 1965 e o ator mandou empalhar, está lá, empinado como aparecia nas telas. ‘‘Tanta gente o amava que não tive coragem de enterrá-lo’’, justificou.

DivulgaçãoRogers fez 87 filmes em toda a sua carreira, 35 deles ao lado de Dale, com quem estrelou também um programa de rádio, que, mais tarde, foi adaptado para a TV, sendo exibido de 1951 a 1957. Graças a sua imagem impecável e seu tino comercial, Rogers construiu um império, ficando atrás apenas de Disney no que se refere à venda de souvenirs e licenciamento de produtos - que vão desde pistolas até lancheiras. Cerca de 600 restaurantes americanos levam seu nome em troca do pagamento de uma porcentagem sobre os lucros. Apesar de ter deixado o cinema, jamais abandonou a carreira musical, lançando em 1991 um álbum com sucessos antigos e novas canções.

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