'O Catatau é um texto ninja'
Desde que lançou a biografia ''Paulo Leminski - O Bandido Que Sabia Latim'', o jornalista e escritor curitibano Toninho Vaz participou de incontáveis eventos dedicados ao poeta, morto precocemente aos 44 anos, de cirrose hepática, em 1989.
Vaz trabalhou e colaborou com grandes veículos de comunicação do País, incluindo a revista Isto É e as redes de televisão Globo e Bandeirantes. No início desta década, deixou as redações para encarar a vida de escritor. Em 2001, publicou a biografia de Leminski.
Para muita gente, Paulo Leminski foi o último grande poeta brasileiro, o maior de sua geração e o mais importante das quatro últimas décadas. Você concorda?
Sem mensurar o tempo ou a estatística, eu diria que o Paulo deixou uma marca bastante notável na literatura brasileira, particularmente no panteão dos poetas. Ele representou um evento importante na linha evolutiva dos nossos valores de linguagem. Ele ajudou a tocar pra frente o processo. O 'Catatau' é um texto ninja, ponta de lança.
Existe consenso sobre essa avaliação entre os críticos?
Eu não diria consenso, pois ainda tem quem discorde das suas qualidades, quem se utilize do folclore da figura de beatnik do poeta para tentar desenhar uma caricatura. Com discrepância. Exatamente da mesma maneira que um seguidor daltônico faz ao sustentar adorações.
Houve, ao longo das décadas de 80 e 90, um surto de imitadores de Leminski. O que era inimitável no poeta do Pilarzinho?
A autenticidade.
Você lançou a biografia ''Paulo Leminski - O Bandido que Sabia Latim'' em 2001. De lá para cá, surgiram novas informações ou textos inéditos dele para uma eventual reedição atualizada?
Novidade exatamente, não. Pequenos fatos novos revelados, sim, mas que não devem exigir uma reedição atualizada.
Se fosse eleger os versos mais tocantes de Leminski, quais você escolheria?
Eu gosto do epitáfio para o corpo: ''aqui jaz / um grande poeta / nada deixou escrito / este silêncio acredito / são suas obras completas''.





