O Carnaval de Londrina resiste
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quarta-feira, 01 de março de 2017
Danieli de Souza<br>Reportagem Local 

A terça-feira de Carnaval (28), foi encerrada com muito samba e folia no aterro do Lago Igapó, em Londrina. O Carnaval das Marchinhas e o Bloco Bafo Quente se juntaram para a concretização do Carnaval Cultural evento programado antes do cancelamento das verbas do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e que acabou se transformado em um Carnaval símbolo de resistência e protesto entre os produtores culturais da cidade.
Ambos os grupos faziam parte dos 82 projetos culturais - Independentes, Estratégicos e Vilas Culturais - aprovados pelo Promic para acontecer ao longo de 2017 e que foram suspensos, com base em parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM). A PGM evoca a lei federal 13.019/14, em vigor desde o dia 1º de janeiro, que dispõe sobre a transferência de recursos para entidades sem fins lucrativos. Haverá então, o lançamento de um novo edital, para que os proponentes se inscrevam e apresentem a documentação exigida e, assim, passem à análise e seleção. Desse modo, todo o processo será feito uma segunda vez. Novos participantes, inclusive, poderão se inscrever.


Todas essas informações chegaram aos grupos como uma bomba, às vésperas do Carnaval, com todos os preparativos já em andamento. O músico Paulo Vitor Poloni, integrante do Carnaval das Marchinhas, que já acontece em Londrina a três anos, lembrou da importância cultural do Carnaval das Marchinhas, que traz em seu repertório sambas e marchinhas dos anos 30, 40, 50 e 60. Ele contou que para a festa se tornar possível, depois da suspensão das verbas, foi necessária a união entre os artistas. "Todos os músicos e artistas envolvidos abriram mão do cachê e a gente resolveu trabalhar com uma caixinha, o famoso "chapéu", nesses eventos abertos, para que o público pudesse contribuir e ajudar com o gasto das coisas nas quais a gente já tinha investido, como figurinos e pré produção", ressaltou.


Segundo Camila Taari, que também integra o Carnaval das Marchinhas, as maiores dificuldades para manter a programação foi a necessidade repentina de conseguir apoio financeiro para fornecer as condições mínimas para a realização dos shows, como o espaço e aparelhagem de som. "A gente foi pego de surpresa, quatro dias antes de iniciar os eventos programados. Mas nós, junto com o Bloco Bafo Quente, que foi um dos mais prejudicados, resolvemos manter a programação voluntariamente como forma de protesto mesmo, pra mostrar que, mesmo no aperto, o Carnaval em Londrina ainda resiste" ressaltou Camila. Segundo ela, os gastos que o grupo já havia firmado compromisso antes de saber do cancelamento da verba, giram em torno de 5 mil reais.


SALVE A FANTASIA
Mas, todos esses percalços não impediram que os londrinenses caíssem na folia. Durante toda a tarde e início da noite da terça-feira, os entornos do Lago Igapó se encheram de gente fantasiada. Homens, mulheres e crianças, de todas as idades, munidos de alegria e muito glítter, cantaram, sambaram e fizeram valer o esforço dos artistas.
Os amigos Anna Maria Gomes e Guilherme Dorcino, que estavam exalando o clima carnavalesco da cabeça aos pés. "A gente veio pra dançar com os amigos e cair no samba. Esses artistas deveriam ser valorizados para que esses eventos possam acontecer cada vez mais por aqui" afirmaram. As amigas Alessandra Ribeiro e Tamires Somera, juntaram os filhos pequenos e aproveitaram a batucada acompanhadas de uma baianinha, uma branca de neve, um pinguim e, o que não podia faltar, um torcedor mirim do LEC. "A gente trouxe as crianças pra aproveitar, sambar e se divertir. É importante ter um espaço assim, pra todo mundo, todas as idades", contou Alessandra.
E é justamente essa importância de manter o Carnaval vivo que motivou ainda mais os grupos a se unirem nessa festa. Guilherme Rossini, integrante do Bloco Bafo Quente, contou que o Bloco já se apresenta em Londrina desde 2006 e, mais especificamente no Carnaval, desde 2010. "A gente passou para a Prefeitura as dificuldades, eles não solucionaram e então resolvemos arranjar um outro jeito. Porque o nosso trabalho é um movimento contínuo, então não fazia sentido não ter esse ano". Segundo ele, a cada ano mais e mais pessoas participam e comparecem aos eventos, e a cidade só tem a ganhar, se tornando forte também na cultura do Carnaval. Como que para reafirmar essa importância, os foliões londrinenses compareceram em peso e na ponta do pé, sambaram e cantaram até o cair da noite, fazendo dessa festa, um aperitivo do que Londrina pode oferecer nos próximos anos. De preferência, contando com a sensibilidade e os recursos do poder público.


