O Bloco Bafo Quente e o Carnaval das Marchinhas não abriram mão de promover um carnaval público em Londrina e comandaram as batucadas no aterro do Lago Igapó
O Bloco Bafo Quente e o Carnaval das Marchinhas não abriram mão de promover um carnaval público em Londrina e comandaram as batucadas no aterro do Lago Igapó



A terça-feira de Carnaval (28), foi encerrada com muito samba e folia no aterro do Lago Igapó, em Londrina. O Carnaval das Marchinhas e o Bloco Bafo Quente se juntaram para a concretização do Carnaval Cultural – evento programado antes do cancelamento das verbas do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) – e que acabou se transformado em um Carnaval símbolo de resistência e protesto entre os produtores culturais da cidade.

Ambos os grupos faziam parte dos 82 projetos culturais - Independentes, Estratégicos e Vilas Culturais - aprovados pelo Promic para acontecer ao longo de 2017 e que foram suspensos, com base em parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM). A PGM evoca a lei federal 13.019/14, em vigor desde o dia 1º de janeiro, que dispõe sobre a transferência de recursos para entidades sem fins lucrativos. Haverá então, o lançamento de um novo edital, para que os proponentes se inscrevam e apresentem a documentação exigida e, assim, passem à análise e seleção. Desse modo, todo o processo será feito uma segunda vez. Novos participantes, inclusive, poderão se inscrever.

Os anfitriões, Pedro, Tito e Alexandre Turquino
Os anfitriões, Pedro, Tito e Alexandre Turquino
Miguel Barbero, Jorge e Evelyn Schweizer
Miguel Barbero, Jorge e Evelyn Schweizer



Todas essas informações chegaram aos grupos como uma bomba, às vésperas do Carnaval, com todos os preparativos já em andamento. O músico Paulo Vitor Poloni, integrante do Carnaval das Marchinhas, que já acontece em Londrina a três anos, lembrou da importância cultural do Carnaval das Marchinhas, que traz em seu repertório sambas e marchinhas dos anos 30, 40, 50 e 60. Ele contou que para a festa se tornar possível, depois da suspensão das verbas, foi necessária a união entre os artistas. "Todos os músicos e artistas envolvidos abriram mão do cachê e a gente resolveu trabalhar com uma caixinha, o famoso "chapéu", nesses eventos abertos, para que o público pudesse contribuir e ajudar com o gasto das coisas nas quais a gente já tinha investido, como figurinos e pré produção", ressaltou.

Anna Maria Goes e Guilherme Dorcino: "Os artistas deveriam ser valorizados para que esses eventos possam acontecer cada vez mais por aqui"
Anna Maria Goes e Guilherme Dorcino: "Os artistas deveriam ser valorizados para que esses eventos possam acontecer cada vez mais por aqui"
As crianças também compareceram em massa, entre baianas e pinguins não faltou  um torcedor mirim do LEC
As crianças também compareceram em massa, entre baianas e pinguins não faltou um torcedor mirim do LEC



Segundo Camila Taari, que também integra o Carnaval das Marchinhas, as maiores dificuldades para manter a programação foi a necessidade repentina de conseguir apoio financeiro para fornecer as condições mínimas para a realização dos shows, como o espaço e aparelhagem de som. "A gente foi pego de surpresa, quatro dias antes de iniciar os eventos programados. Mas nós, junto com o Bloco Bafo Quente, que foi um dos mais prejudicados, resolvemos manter a programação voluntariamente como forma de protesto mesmo, pra mostrar que, mesmo no aperto, o Carnaval em Londrina ainda resiste" ressaltou Camila. Segundo ela, os gastos que o grupo já havia firmado compromisso antes de saber do cancelamento da verba, giram em torno de 5 mil reais.

Guilherme Rossini: "o nosso trabalho é um movimento contínuo, então não fazia sentido não ter carnaval este ano".
Guilherme Rossini: "o nosso trabalho é um movimento contínuo, então não fazia sentido não ter carnaval este ano".
Camila Taari, do Carnaval das Marchinhas: "Junto com o Bloco Bafo Quente fomos um dos mais prejudicados, mas resolvemos manter a programação como forma de protesto"
Camila Taari, do Carnaval das Marchinhas: "Junto com o Bloco Bafo Quente fomos um dos mais prejudicados, mas resolvemos manter a programação como forma de protesto"



SALVE A FANTASIA
Mas, todos esses percalços não impediram que os londrinenses caíssem na folia. Durante toda a tarde e início da noite da terça-feira, os entornos do Lago Igapó se encheram de gente fantasiada. Homens, mulheres e crianças, de todas as idades, munidos de alegria e muito glítter, cantaram, sambaram e fizeram valer o esforço dos artistas.

Os amigos Anna Maria Gomes e Guilherme Dorcino, que estavam exalando o clima carnavalesco da cabeça aos pés. "A gente veio pra dançar com os amigos e cair no samba. Esses artistas deveriam ser valorizados para que esses eventos possam acontecer cada vez mais por aqui" afirmaram. As amigas Alessandra Ribeiro e Tamires Somera, juntaram os filhos pequenos e aproveitaram a batucada acompanhadas de uma baianinha, uma branca de neve, um pinguim e, o que não podia faltar, um torcedor mirim do LEC. "A gente trouxe as crianças pra aproveitar, sambar e se divertir. É importante ter um espaço assim, pra todo mundo, todas as idades", contou Alessandra.

E é justamente essa importância de manter o Carnaval vivo que motivou ainda mais os grupos a se unirem nessa festa. Guilherme Rossini, integrante do Bloco Bafo Quente, contou que o Bloco já se apresenta em Londrina desde 2006 e, mais especificamente no Carnaval, desde 2010. "A gente passou para a Prefeitura as dificuldades, eles não solucionaram e então resolvemos arranjar um outro jeito. Porque o nosso trabalho é um movimento contínuo, então não fazia sentido não ter esse ano". Segundo ele, a cada ano mais e mais pessoas participam e comparecem aos eventos, e a cidade só tem a ganhar, se tornando forte também na cultura do Carnaval. Como que para reafirmar essa importância, os foliões londrinenses compareceram em peso e na ponta do pé, sambaram e cantaram até o cair da noite, fazendo dessa festa, um aperitivo do que Londrina pode oferecer nos próximos anos. De preferência, contando com a sensibilidade e os recursos do poder público.

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