Júlio Verne encontra o século 21 no espetáculo que encerrou o Filo – Festival Internacional de Londrina - na noite de domingo (1). Com sessões lotadas desde o sábado, “Vinte Mil Léguas Submarinas', com o grupo Potlach, da Itália, trouxe a história do século 19 e suas invenções para o século 21 contando também com a tecnologia. O espetáculo multimídia coloca os atores num cenário marítimo através de duas telas onde são projetadas imagens com as quais o elenco interage. O uso de projeções no teatro é um recurso que coloca o público num ambiente imersivo que reforça a imaginação, porque teatro é sobretudo imaginação, com janelas abertas para a realidade.

Se nesta edição do Filo os espetáculos politizados deram o tom, caso da abertura com o Cia do Tijolo (SP) que apresentou “A Cabeça Gosta de Pensar, Mas os Passos Tecem a Existência” ou do grupo Carmim (RN) com “As Invenções do Nordeste”, o encerramento com um grupo europeu, num ano de poucas montagens internacionais, restabeleceu o espírito da diversão pura, mas com um apelo à preservação ambiental.

Num teatro lotado por um público de todas as idades - onde crianças pequenas chamavam “mamãe” durante a encenação – o grupo Potlach retomou o espírito do 'vaudeville' numa apresentação que trouxe monstros e animais marinhos num desfile por entre os personagens, preenchendo as lacunas que, por acaso, ficassem entre o elenco e o imaginário do público.

A montagem segue o texto original com o capitão Nemo singrando os mares com seu navio Náutilus, confundido com um monstro. Movida a eletricidade, coisa surpreendente para a época em que o texto foi criado, e capaz de navegar em águas profundas e espaços nunca vistos, a embarcação representa o assombro com as possibilidades da tecnologia e da invenção num mundo novo. Adaptar a história com um recurso multimídia enriquece e aponta a imaginação sem fim que tanto Verne quanto o teatro são capazes de proporcionar.

Público do Filo aplaude a companhia Potlach, da Itália, que encerrou o festival no fim de semana
Público do Filo aplaude a companhia Potlach, da Itália, que encerrou o festival no fim de semana | Foto: Fábio Alcover/ Divulgação

O final, com os personagens até então reféns do Capitão Nemo se libertando e desembarcando em Paris, representa um resgate da alegria, ainda mais com as bailarinas do cancan demonstrando que a arte deve continuar, apesar dos sustos.

Numa edição que abriu espaço para a reflexão sobre os caminhos do Filo e de outros festivais do País - através de um fórum que reuniu produtores culturais, jornalistas, dramaturgos e atores durante o evento - o próximo ano deverá trazer novidades na concepção, formato, captação de recursos e organização deste que é considerado um dos festivais mais importantes da América Latina, criado e desenvolvido em Londrina e que tem recebido, através de décadas, companhias do Brasil e do mundo.

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