O caos em pânico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de outubro de 2000
De Londrina Especial para a Folha2 
Quando a produtora Dimension Films afirmou enfaticamente que Pânico 3 seria o último da série, isto com certeza não era para ser levado a sério. Os produtores não apenas resolveram anarquizar a franquia Scream como ainda decidiram promover uma revisão completamente insana de todo o catálogo de horror da Dimension e de outros títulos das vizinhanças incluindo The Blair Witch Project. Quem procurar por um único calafrio em Todo Mundo em Pânico certamente não vai encontrar. Mas por outro lado pode se divertir com um humor grosso e pesado, estilo demolição, sem um pingo de auto-indulgência mas com toneladas de auto-referência.
O diretor Keenan Ivory Wayans e seus irmãos Shawn e Marlon, roteiristas e atores, não se preocuparam muito (ou quase nada) com um argumento em linha mais ou menos direta. Num certo sentido ou na ausência de um estamos diante de um cruzamento maluquete de Pânico com Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado. Escola de cidade pequena é aterrorizada por assassino mascarado.
Três casais estão no centro da ação, e em torno deles e das situações parodiadas, as piadas jorram às duzias, em tempo quase recorde. Iconoclasta, escatológica, grosseira, demolidora, abusada, impertinente. Há de tudo um pouco, para curtir ou não obviamente não se admitindo no trajeto a indiferença. É claro que certa cumplicidade do espectador é necessária, em caso do relaxe e aproveite, já que é inevitável: conhecer previamente os filmes espinafrados é um pré-requisito que ajuda a manter um clima de molecagem cúmplice. E o que também acaba pesando favoravelmente é a rasgada capacidade de auto-ironia, o senso de humor kitsch retirado das entranhas da própria ficção idem. (C.E.L.J.)


