O canto e a fúria de Ferreira Gullar
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Quem é o maior poeta brasileiro vivo? Se a pergunta for dirigida a críticos literários, provavelmente o nome do maranhense Ferreira Gullar se imponha entre os mais votados na enquete refletindo um consenso construído ao longo das duas ou três últimas décadas.
Há controvérsias, obviamente, afinal o autor do ''Poema Sujo'' tem uma trajetória marcada por oscilações, desvios de rota e mudanças extremadas de posição estética que acabaram afetando a recepção de sua obra. Ninguém, contudo, seria capaz de ignorar a importância de seu legado.
Aos 80 anos, Gullar continua atuante. Nesta temporada, lançou dois novos livros (''Em Alguma Parte Alguma'' e ''Zoologia Bizarra'') e ganhou o Prêmio Camões, o mais influente da língua portuguesa. Nada mais pertinente do que homenageá-lo na televisão, como faz o Canal Brasil amanhã com a exibição da ''Mostra Ferreira Gullar'' - uma série de quatro especiais sobre o poeta.
O primeiro deles, o documentário ''Ferreira Gullar - O Canto e a Fúria'', vai ao ar às 18 horas. Dirigido por Zelito Viana, o filme de estreia é uma produção de 1994 reunindo fatos pitorescos, depoimentos e opiniões do poeta. Gullar fala de todas as fases de seu percurso e conta casos engraçados, como o fracasso do ''Poema Enterrado'', criado com Hélio Oiticica. Explica ainda a opção que fez pela poesia engajada no início dos anos 60.
O segundo documentário, ''Ferreira Gullar - A Necessidade da Arte'', vai ao ar às 19h. Também dirigido por Zelito Viana, dessa vez em 2005, mostra outra faceta do homenageado - a de amante, estudioso e crítico de artes plásticas. Gullar aborda a importância da arte para o ser humano, considerando-a necessária e vital.
Com o objetivo de mostrar as transformações sofridas através da história e a relação criativa que se estabelece entre o homem e a obra pelo olhar, ele analisa pinturas e esculturas de artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci, além de brasileiros como Ivan Serpa, Iberê Camargo e Mário Pedrosa. São reflexões sobre a arte ocidental desde o Renascimento até a contemporaneidade.
O curta-metragem ''Ver Ouvir'' vem na sequência, às 19h20, trazendo também a relação do poeta com as artes visuais. Dirigido em 1967 por Antônio Carlos da Fontoura, o filme registra o processo criativo de três artistas plásticos: Roberto Magalhães, Rubens Gerchman e Antonio Dias, que, no final dos anos 1960, consolidavam suas carreiras. Gullar aparece no final com sua poesia e seu entusiasmo pela arte moderna, transformadora e transgressora.
O também curta-metragem ''Por Acaso Gullar'' completa a sessão às 19h20 mostrando um depoimento do autor sobre poesia, criação, inspiração e o lugar do acaso na expressão artística. O filme é de 2006 e foi dirigido por Maria Rezende e Rodrigo Bittencourt.
Serviço:
- Mostra Ferreira Gullar - Amanhã, a partir de 18h, no Canal Brasil


