O caminho inverso
Renata Corte
Especial para Agência Estado
Comemoração dos 500 anos do Brasil é uma oportunidade para descobrir Portugal. Da arquitetura à culinária, tudo soa muito familiar para os brasileiros
Quer sentir-se em casa? Visite Portugal. Aproveitando a ocasião das comemorações dos 500 anos do Brasil, esta é uma boa oportunidade para desfrutar de uma deliciosa aula de história no país que batizou a nossa língua. O Jardim da Europa faz com que os brasileiros se sintam à vontade, e não só por causa da língua: desde a arquitetura até a culinária, tudo nos soa familiar.
Mas Portugal tem muito mais. Em alguns lugares, a impressão que se tem é de que acabamos de entrar numa máquina do tempo. Religioso e conservador, o povo português preserva suas origens e respeita sua história. Isso pode ser visto no cuidado dispensado aos museus e monumentos históricos que não estão pichados em parte alguma. Até nos cafés e restaurantes, muitos estão mantidos exatamente como eram há 50, 100 ou mais anos. Você acha 500 anos de história muita coisa? Então vá tocar uma das paredes do claustro da igreja de Santa Cruz, em Coimbra, que tem cerca de 900 anos.
Outra diferença que conta pontos a favor de Portugal é a sua dimensão. A terra do descobridor é muito menor do que a nossa terra brasilis. As enormes distâncias a serem vencidas no Brasil não existem lá; é possível passar de uma cidade a outra a pé, e sem notar. Aliás, esta é uma dica que vale para Portugal inteiro: a melhor maneira de descobrir as cidades é a pé, desfrutando de suas ruazinhas de desenho medieval, seus becos, tascas (bares) e a inesquecível cor local.
O fato de falarmos a mesma língua ajuda, mas não pense que é fácil, não. Os portugueses nos compreendem bem, mas a recíproca não é verdadeira; eles comem vogais demais. Algumas palavras-chave são completamente diferentes: autocarros são ônibus; pequeno almoço é café da manhã; e pastelaria é loja de doces, só pra ficar em três exemplos.





