Ricardo Barretto
Especial para a Agência Estado
Jóias sempre foram um símbolo importante da indumentária feminina, seja pela delicadeza, pelo exotismo ou como elemento estético. Numa festa como o Oscar, onde as mulheres desfilam com modelos de alta-costura, nada mais natural que o uso de jóias para realçar o esplendor das estrelas de Hollywood.
Apesar de sempre ter sido um ícone de moda e estilo, a cultura das jóias na festa do Oscar foi modificada através dos anos e com ela os significados do uso de pedras preciosas.
Durante a década de 30, quando aconteceram as primeiras cerimônias de premiação da Academia, as atrizes do cinema costumavam usar suas próprias jóias para irem à festa. Isso era visto pelas estrelas, pelos estúdios e pelo público como um sinal de status. Uma prova dessa concepção foi dada ainda em 1930, quando Norma Shearer recebeu o prêmio de Melhor Atriz, pelo filme ‘‘A Divorciada’’. A pulseira com filetes de diamantes que usava em volta do braço, e o longo colar, também de diamantes, ao redor do pescoço foram motivo de deslumbramento para os fãs da atriz e os admiradores de moda e jóias. A partir daí, a palavra de ordem se tornou ostentação.
Esse conceito permaneceu inalterado por vários anos, até que na década de 60 uma nova fase das jóias surgiria. O estilo que se solidificava era o das jóias ‘‘mutáveis’’, que eram peças de uso múltiplo, como colares de pinças que podiam ser transformados em broches, pulseiras que se tornavam gargantilhas, etc. Mas como de costume, foi preciso uma grande atriz adotar o novo estilo para que a moda entrasse em voga. Em 1962, Joan Crawford compareceu à cerimônia do Oscar usando um colar de diamantes com um broche destacável. Mais tarde ela explicaria que já possuía a peça desde a década de 40. Mais uma vez, o estilo se manteria forte por anos.
Apesar dos anos 70 e 80 terem trazido designs mais criativos para as jóias, uma nova moda significativa só pode ser vista no Oscar a partir dos anos 90, com a chegada de uma vasta safra de filmes de época, como ‘‘Razão e Sensibilidade’’, ‘‘Titanic’’ e ‘‘Shakespeare Apaixonado’’.
A inspiração cinematográfica foi infalível para o novo estilo de pedras e formatos remontando ao Romantismo. Assim, grandes pulseiras e brincos do período eduardiano passaram a ser vistos compondo o visual de inúmeras atrizes, como Kate Winslet, em 1996, na cerimônia em que concorria ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por ‘‘Razão e Sensibilidade’’. Até Gloria Stuart, que testemunhou várias fases do uso de jóias na festa do Oscar, incorporou o novo estilo, usando um colar com visual Titanic, trazendo diamantes azuis especialmente criados para ela.
Hoje em dia, as jóias deixaram de ser meros adereços, para se tornarem uma forma de discurso. Um exemplo desse novo conceito ficou evidente com Salma Hayek, que usou uma bela tiara de diamantes, para não passar despercebida em sua primeira participação no Oscar como apresentadora. Ou ainda na atitude de Sharon Stone que, na cerimônia de 1998, colocou um dragão alado de diamantes em sua saia, como expressão de sua individualidade.

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