O brasileiro feliz
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de julho de 2009
Ricardo Chagas 
'Com a conquista da Copa, o povo esqueceu a escassez do salário, o preço da gasolina, a corrupção em Brasília... E sentiu-se vitorioso'
Quando a seleção brasileira conquistou a Copa das Confederações o brasileiro esqueceu a escassez do salário, o preço da gasolina, a corrupção em Brasília... E sentiu-se vitorioso. Sim, éramos os melhores em alguma coisa. E ganhamos o título justo em cima dos Estados Unidos. O gigante do norte que sempre nos oprimiu com sua superioridade econômica e nos empurrou sua cultura e idioma goela abaixo. O brasileiro estava feliz.
No entanto a felicidade dominical amenizou-se quando o brasileiro teve que acordar às seis da manhã de segunda-feira, pegar três lotações rumo a uma árdua jornada de trabalho. Na terça-feira essa felicidade era apenas um pequeno vestígio quase esquecido.
Quando o brasileiro percebeu que o ponteiro do marcador de combustível estava próximo da reserva, que as contas se acumulavam... Abriu sua carteira e viu que só tinha umas notas miúdas e algumas moedas... O brasileiro ficou infeliz.
Entretanto, na quarta-feira o Corinthians ganhou a Copa do Brasil, e o brasileiro teve outra crise de amnésia. O Corinthians era um símbolo de superação, um time rebaixado para a segunda divisão que agora ganhava um título nacional. E havia outros símbolos na figura de um homem. Ronaldo, que foi desacreditado por todos após inúmeras lesões, voltou ao futebol em grande estilo. E o Corinthians comemorava a conquista em Brasília junto com o presidente. O brasileiro estava feliz novamente.
Mas a felicidade durou muito pouco. Nem toda a nação era corintiana e quando o corintiano ostentou seu orgulho debochando dos outros times, houve um clima de grande tensão.
Algo precisava ser feito com urgência. Não havia nenhum outro grande título para se comemorar. Teríamos que encontrar um responsável pela nossa insatisfação. Alguém tinha que ser crucificado. E o eleito foi o Lula. Sim, o presidente era o culpado de tudo. Não pela sua administração, mas por ser corintiano.
RICARDO CHAGAS é estudante do curso de Letras da Faculdade Univale de Ivaiporã


