ReproduçãoGravura de Debret:
‘‘O primeiro impulso
da virtude guerreira’’A Fundação Bienal de São Paulo está organizando uma grande mostra internacional de arte brasileira para comemorar os 500 anos do Descobrimento. O projeto, denominado Brasil 500 Anos Artes Visuais, abrangerá desde a arte indígena pré-cabralina até o mais atualizado panorama da arte contemporânea. A data de inauguração da mostra, sediada no prédio da Bienal, está prevista para 3 de maio do ano 2000, dia que assinala a primeira missa em solo brasileiro. Deve permanecer em cartaz até 3 de julho do mesmo ano.
O projeto, orçado em US$ 15 milhões de dólares, foi apresentado à imprensa na semana passada, em entrevista coletiva, pelo presidente da Fundação Bienal, o empresário Julio Landmann. A equipe responsável pelo projeto é liderada pelo banqueiro Edemar Cid Ferreira, ex-presidente da Fundação Bienal nas duas administrações anteriores. O vice-comissário geral é o editor Pedro Paulo de Sena Madureira e a curadoria-geral está a cargo do crítico de arte Nelson Aguilar, que fez a curadoria da 22ª e da 23ª bienais (1994 e 1996). Ele vai liderar uma equipe de outros 12 curadores setoriais.
Julio Landmann esclareceu que a mostra Brasil 500 Anos Artes Visuais ‘‘não irá atropelar nem comprometer a realização das duas próximas bienais de São Paulo’’ (previstas para este ano e para 2000). ‘‘Essa será a maior exposição de arte brasileira realizada pela bienal e, como a tarefa é vasta, o Conselho Administrativo da Bienal criou uma estrutura totalmente independente para a gerir’’, frisou.
O orçamento elevado e os contornos ambiciosos do projeto são, segundo Cid Ferreira, uma profissão de fé na sensibilidade do empresariado para o patrocínio de cultura. ‘‘Nos últimos cinco anos, a captação de recursos para iniciativas culturais teve um crescimento firme e constante, apesar de eventuais crises econômicas conjunturais’’.
A exposição, esclareceu Nelson Aguilar, será dividida em nove módulos: Arqueologia, Artes Indígenas, Arte Afro-Brasileira, Arte dos Séculos 17 e 18, Arte Popular, Arte do Século 19, Imagens do Inconsciente, O Olhar Distante e Arte do Século 20. A equipe curatorial está formada por Maria Cristina Scatamacchia (Arqueologia), Lúcia Hussak van Velthem e José Antonio Braga Fernandes Dias (Artes Indígenas), Kabengele Munanga e Marta Heloísa Salum (Arte Afro-Brasileira), Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira (Arte dos Séculos 17 e 18), Emanoel Araújo e Frederico Pernambuco de Mello (Arte Popular), Luciano Migliaccio (Arte do Século 19), dra. Nise da Silveira e Luiz Carlos de Mello (Imagens do Inconsciente) e Leslie Bethell e Pedro Corrêa do Lago (O Olhar Distante). Nelson Aguilar, o curador-geral, ficará responsável também pelo segmento Arte do Século 20. Para a excursão nacional, a mostra será resumida e dividida em módulos autônomos. No exterior, o percurso começa pela Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, Portugal). No Brasil, pelo Museu Nacional de Belas-Artes (Rio de Janeiro). Depois, viaja para o Museu Ludwig (Colônia, Alemanha), Museu Hara (Tóquio, Japão) e Museu de Arte Moderna de São Francisco (EUA). O calendário das exibições ainda está em elaboração.
Para Nelson Aguilar, o diferencial dessa mostra é seu tempo de preparo. ‘‘Estamos dispondo de um tempo ideal de três anos, porque começamos a trabalhar na organização da equipe e nas pesquisas iniciais desde o ano passado’’. Mostras semelhantes realizadas pela Fundação Bienal, como Tradição e Ruptura (1984) e Bienal Brasil Século 20 (1994), foram feitas em poucos meses.
O prazo confortável vai permitir a pesquisa e as negociações para a presença de peças antológicas. Um dos exemplos: o Manto Tupinambá, precioso exemplar de arte plumária realizado no século 16 ou 17 que pertence à coleção dos Museus Reais de Arte e História, de Bruxelas (Bélgica).

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