O Brasil também se mostra nas telas
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quinta-feira, 08 de julho de 2004
Especial para a Folha2 
Homem-Aranha, Shrek, Harry Potter, Garfield semana que vem. Neste julho de transito cinéfilo congestionado por apelos infanto-juvenis com amplo predomínio made in USA, o atrevimento de títulos brasileiros disputando vaga nas telas do país é no mínimo digno de incentivo. Nomes fortes em nosso imaginário infantil fazem as honras da resistência: Mauricio de Sousa e sua extensa galeria de personagens liderados por Mônica, e o solitário trapalhão Didi, o popular Renato Aragão. Os respectivos filmes estão à disposição a partir de hoje (veja a programação de cinema na página 2).
Curioso, o título: ''Cine Gibi, o Filme - Turma da Mônica''. E inteligente também, tomando como inquestionável a prevalência da Mônica HQ sobre a Mônica dos desenhos animados, seja na tevê, seja no cinema. Assim, é justa a tentativa de transferir a empatia comprovada via revista em quadrinhos para a tela grande, acenando com a hipótese de folhear imagens em vez de páginas. Ao todo são seis histórias, escritas por seis roteiristas. Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Franjinha, Bidu, Jotalhão, pais da Mônica, pais do Cebolinha, Aninha, Carminha Frufu e os demais da patota bem-criada pelo desenhista Mauricio de Sousa e equipe. O resumo da ópera: Franjinha, o garoto inventor da Turma da Mônica, resolve ler gibis de maneira diferente: com os quadrinhos em movimento. Ele inventa então um grande liquidificador que engole gibis e projeta suas histórias nas telas dos cinemas. Mas há surpresas ao vivo nesta história que produz outras histórias. A direção é de José Marcio Nicolosi.
Ainda respaldado pela televisão e pela lembrança de outros tempos e de outros companheiros, os fieis escudeiros Dedé, Mussum e Zacarias, Renato ''Didi'' Aragão está de volta à tela grande com nova comédia, tentando se apoderar de uma fatia do gordo mercado para crianças. E o título passa por aí, em ostensivo aceno: ''Didi Quer ser Criança''. A história, de autoria do próprio Aragão, não deixa de ser muito sugestiva e irônica. Didi é o provador de balas em fabriqueta de doces tradicionais, pressionada por forte concorrência de uma outra fábrica que produz doces usando corantes e ingredientes artificiais que prejudicam a saúde das crianças. A concorrência não é apenas na qualidade dos produtos, mas também como a mídia faz a distinção entre um e outro, favorecendo quem faz os doces ruins. Para piorar, a criançada envolvida pela propaganda é dura na queda e não ouve Didi. Mas este conta com a ajuda dos santos Cosme e Damião, e daí...
Pode ser que sim, pode ser que não, mas Aragão parece estar vendendo sua metáfora da luta desigual que o cinema brasileiro, seja para crianças, seja para adultos, vem travando contra o similar estrangeiro. De qualquer maneira, faixas etárias à parte, os fãs do humorista vão encontrar o de sempre: muito estripulia, aventuras, ingênuo humor circense. A direção é de Alexandre e Reinald Boury. (C.E.L.J.)


