O Brasil sob a ótica feminina
Nelson Sato
De Londrina
Qual o perfil da mulher brasileira nesse final de século? Quais as mudanças que mais afetaram a condição feminina nos últimos 100 anos? O que falta para elas alcançarem a emancipação desejada? Todas essas questões vão ganhar foco privilegiado na TV Cultura, que estréia hoje às 20 horas o documentário O Século das Mulheres no Brasil.
A série de dez programas conta a história do País sob o olhar feminino, fazendo a reconstituição histórica dos passos das mulheres em diversos setores incluindo sexualidade, política e arte. Os programas trazem a participação de figuras de destaque de várias áreas (caso de Fernanda Montenegro, Ana Moser, Marilena Chauí, Ana Paula Arósio, Magic Paula etc), além de depoimentos de anônimas que buscam oportunidades no dia-a-dia.
Cada episódio aborda um tema específico. O vídeo de hoje trata de mercado de trabalho e inclui entrevistas com a juíza Denise Frossard e Carmen Portinho (terceira mulher formada em engenharia civil no Brasil). O episódio mostra, por exemplo, como a mão-de-obra feminina tomou impulso na década de 20 a partir do surgimento de chapelarias, armarinhos e confecções.
Na época, a profissão de costureira foi a principal responsável por essas mudanças tirando muitas mulheres dos meros afazeres domésticos. Por incrível que parece hoje em dia, as simples conversas entre elas nos locais do batente significavam um começo de independência e até de rebeldia. No programa, imagens de arquivo ilustram as etapas enfrentadas para assegurar os direitos iguais na disputa por vagas nas empresas.
Resgatam também a importância do movimento feminista na década de 60 e o crescimento da participação da mulher nos anos 70, quando uma em cada cinco já tinha carteira assinada. Prosseguindo nas conquistas, elas alcançariam postos de comando na década de 80. Hoje, de acordo com o IBGE, 40,4% da população economicamente ativa do país está representada pelo que ainda chamam de sexo frágil.
Mas nem tudo são flores: as diferenças salariais, a falta de profissionalização, o trabalho no campo e as doenças específicas ainda constituem temas problemáticos na agenda das mulheres brasileiras e são discutidos no último bloco do programa. Os próximos vídeos da série tratam de esportes, artes, política, sexualidade, cinema, televisão, literatura, ciência e futuro.
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