Curitiba Cansada de ver a falta de divulgação da imagem correta do Brasil nos Estados Unidos, a curitibana Adriane Bonato resolveu fazer a sua parte. Há pouco mais de um ano procurou o governador de Nova York, George Pataki, e lhe propôs sua idéia inusitada: fazer um programa de turismo que mostrasse o verdadeiro Brasil aos americanos.
Sem imagens de mulatas com pouca roupa e caipirinha, o programa foi ao ar no canal MNN de televisão aberta em Nova York e vem mostrando os encantos de um país até então desconhecido aos tradicionais americanos. Lugares como o Pantanal, a Amazônia, o Nordeste estão chegando às casas de gente desinformada sobre nossas belezas naturais.
No projeto de Adriane, em parceria com o empresário de turismo curitibano Davi Rassi, o Brasil é mostrado de uma forma mais ampla e desmistifica a imagem de que aqui tudo é festa. ''Queremos mostrar ao turista que temos bom turismo'', explica Rassi. Depois de um tempo com um horário entre as 10h30 e 11h30 reservado para esse trabalho, Adriane quer construir a outra via. Fazer os brasileiros verem o que há de interessante na Big Apple.
''Queremos um horário numa televisão brasileira para podermos tornar o processo uma via de duas mãos. Se conseguirmos, teremos dois receptivos, um para os brasileiros que vão e outro para os americanos que vêm. Ficará perfeito'', explica Adriane, que já até se arriscou a escrever um guia para brasileiros em Nova York.
Com a crise do dólar as coisas acabaram arrefecendo e a produtora teve que procurar uma outra via de trabalho. Agora, o que é ruim para nós ficou bom para eles. ''É hora de trazer os americanos para cá'', afirma Rassi. Segundo ele, existem hoje cerca de 6 milhões de americanos interessados em vir ao Brasil que não sabem como fazê-lo. É a chance do mercado reagir e fazer a alta do dólar reverter em lucro para o turismo brasileiro.
O maior problema para conseguir montar esta complementação em território nacional está sendo a resistência das emissoras de televisão em comprar o projeto. ''Sempre temos que passar pelo comercial e aí as coisas acabam emperrando'', lamenta Adriane que está com os dias contados para voltar aos Estados Unidos. Batendo de porta em porta a moça que venceu as barreiras americanas para penetrar na casa deles não está conseguindo abrigo no seu próprio lar.

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