Na gravação das músicas da peça ‘‘Orfeu da Conceição’’, de Vinícius de Moraes, em 1956, aparecia um violão discreto e cuidadosamente harmônico. Luiz Bonfá, o violonista, chegaria à fama três anos depois, quando ‘‘Orfeu do Carnaval’’ – baseado na peça – levou o Oscar de melhor filme estrangeiro e consagrou a canção ‘‘Manhã de Carnaval’’ (Bonfá/Antonio Maria). Considerado um dos precursores da bossa nova, Luiz Bonfá morreu ontem em uma clínica da Barra da Tijuca, em consequência de câncer de próstata, aos 78 anos.
Melodista refinado, Bonfá tinha formação erudita e uma curiosidade musical que o fez, aos poucos, abandonar a canção em busca do aperfeiçoamento instrumental, mergulhando em estudos técnicos. Como harmonizador, se dava bem com dissonâncias e multiplicava acordes.
O afastamento da canção fez com que fosse lembrado no Brasil, com o passar do tempo, mais pela autoria de ‘‘Manhã de Carnaval’’ do que pelas obras instrumentais. Nos Estados Unidos, é celebrado como importante violonista.
A parceria com o crítico e compositor Antonio Maria surgiu por intermédio do cronista Rubem Braga. Enrolado, Antonio Maria demorava para entregar as letras, provocando ansiedade no instrumentista.
O jazz, que era influência, despertou ainda mais interesse no compositor durante a década de 60, quando se associou ao pianista Eumir Deodato, mudando-se para os Estados Unidos. Lá, se destacou com ‘‘Introspection’’ (1972), álbum de violão solo que se tornou referência do instrumento.
Luiz Bonfá era compositor e instrumentista de porte, talento respaldado por nomes tão diversos como Agostinho dos Santos, Ângela Maria, Nora Ney, Maísa, Tony Bennett, Ithamara Koorax, Djavan, Sarah Vaughan, Frank Sinatra, Stan Getz e muitos outros que o gravaram.

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