Morreu aos 71 anos, no início da madrugada desta terça-feira, a atriz e apresentadora Elke Maravilha. Estava internada desde o dia 20 de junho numa clínica em Laranjeiras, zona sul do Rio. Ela foi operada de uma úlcera no estômago, era diabética e não respondeu bem à medicação.

Nascida em São Petersburgo (Rússia) em 1945, Elke veio para o Brasil com a família aos 6 anos de idade e foi morar numa pequena cidade de Minas Gerais, Itabira do Mato de Dentro, onde nasceu Carlos Drummond de Andrade.

Era conhecida pela alegria exuberante e pelo modo de vestir-se e comportar-se de forma anti convencional. Modelo na juventude, começou a desfilar aos 24 anos para Guilherme Guimarães, impondo aos poucos um estilo próprio, a ponto dos costureiros começaram a fazer roupas especialmente para ela. Em 1972 foi jurada da Buzina do Chacrinha, depois participou do Show de Calouros de Sílvio Santos e mais tarde fez o talk show "Elke", no SBT.

Atuou em filmes como "Barão Otelo no Barato dos Bilhões" (1971) - com Grande Otelo - "Quando o Carnaval Chegar"(1972) e "Xica da Silva" (1976), de Cacá Diegues, e "Pixote" (1981), de Hector Babenco, entre outros. O último papel foi em "carrossel 2- O Sumiço de Maria Joaquina."

No teatro fez peças infantis e trabalhou com José Celso Martinez Corrêa na leitura dramática "O Homem e o Cavalo" (1985), além de ter integrado o elenco de "Carlota Joaquina" (2001), dirigido por Nuno Leal Maia, no papel de Dona Maria, a Louca. Seu último espetáculo "Elke canta e conta," estreou em 2015.

De personalidade marcante, era imensamente popular e comparada a ícones como Carmen Miranda e Arthur Bispo do Rosário. A psiquiatra Nise da Silveira – reconhecida por seu trabalho de arte terapia com internos de manicômios – considerava Elke Maravilha uma "sacerdotisa de Dionísio", capaz de iluminar caminhos e espalhar alegria.

Nas redes sociais, os amigos e colegas de profissão lamentam profundamente a perda de Elke, conhecida também por sua grande empatia pelas minorias, como os negros e os gays. Tão marcante quanto sua alegria, era seu senso de justiça e espírito crítico que exprimia de forma irreverente.

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