O que a princípio parecia desolador para o Brasil acabou se mostrando até bem generoso, à medida que foram reveladas as seleções colaterais. Na seção principal não estamos, aliás o único latino em disputa é o mexicano Carlos Reygadas com ''Luz Silenciosa'', mas há substancial presença em vários segmentos.
Ao lado de outros 34 diretores, Walter Salles dirige uma das mini-histórias do filme comemorativo de Cannes, ''Chacun son Cinéma'', e apresenta como mestre de cerimônias na seção ''Cannes Classics'' nosso maior ícone e grande trunfo em todos os tempos, o clássico ''Limite'', de Mario Peixoto, em cópia devidamente restaurada.
Temos dois longas de duas diretoras em duas importantes mostras paralelas. Sandra Kogut adaptou o Guimarães Rosa de ''Manuelzão e Miguilin'' em ''Mutum'', filme que encerra a 39 Quinzena dos Realizadores. Lucia Murat assina ''A Via Láctea'', que por sua vez abre a 46 Semana da Crítica. O carioca Vicente Ferraz é um dos diretores do filme coletivo ''O Estado do Mundo'', que concorre na Quinzena. Entre os curtas, o Brasil aparece indiretamente na disputa da Palma de Ouro da categoria.
O brasileiro Antonio Campos (filho do jornalista Lucas Mendes) compete com ''The Last 15'', produção americana. Já Tereza Menezes e Gregório Graziosi, alunos de cinema da FAAP, conseguiram emplacar o curta ''Sabá'' no concurso da Cinefondatión, que seleciona trabalhos de escolas de cinema. Outro paulista também saído da FAAP, Esmir Filho tenta com ''Salivas'' repetir o sucesso do ano passado na Semana da Crítica, quando levou o prêmio de melhor roteiro com o curta ''Alguma Coisa Assim''.
Além disso, o estande brasileiro no Mercado do Filme que atua paralelamente ao festival vai tentar negociar vinte títulos de longa-metragem da produção nacional mais recente. (C.E.L.J.)

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