A cineasta Tizuka afirma que o brasileiro não conhece o Brasil e não conhece a si mesmo. ‘‘No Paraná mesmo, o que se conhece é Curitiba. Ninguém sabe que cara Londrina e Foz do Iguaçu têm. Da mesma forma, ninguém sabe que cara tem Niterói ou Campos. Não há difusão, porque não há uma produção cultural audiovisual.’’
Ela reconhece que as produções locais rodam nas próprias cidades. ‘‘Vocês conhecem o que é feito aqui, mas a gente lá no Rio de Janeiro não fica sabendo. Por isso a produção audiovisual tem de ser feita.
Para Tizuka, é preciso aproveitar os profissionais locais e treiná-los para essas produções. ‘‘Aqui há excelentes fotógrafos, escritores. É gente que pode ser aproveitada para a produção cinematográfica.’’
Ela sugere que os escritores possam aprender a fazer roteiros, os fotógrafos aprenderem a linguagem do cinema. ‘‘Assim poderíamos produzir filmes sobre a cultura milenar dos índios Guaranis. E a gente não ficaria mais fazendo a interpretação à moda européia ou americana.’’
No Brasil não existe escola de formação para ator de cinema. Existe para ator de teatro. ‘‘A diferença é que no palco o ator consegue tapear mas para o câmera o ator tem de entregar a alma. Esta entrega da alma ou da emoção é que faz o ator de cinema.’’
No Ceará, cita a cineasta, existe um pólo de produção de cinema muito bom, que foi montado com pessoas que estudaram em Cuba. O Ceará tem condições de receber uma produção de novela e colocar o Ceará no ar. ‘‘Hoje, se conhece muito mais o Ceará por causa dessa produção audiovisual.’’
A idéia da cidade cinematográfica pode se proliferar para todos os municípios do Paraná. As secretarias de Cultura podem encomendar as produções e os alunos executarem. ‘‘Temos boa parte da estrutura na vila de Itaipu, mas as empresas podem continuar participando. A que bancar um galpão, poderá batizá-lo com o nome da empresa. Ou com trocas do tipo, vocês nos dão uma câmera e nós fazemos um vídeo institucional. Podemos municiar quem quer que seja com imagens do lugar e de graça. Isso promove o turismo.’’ Foz do Iguaçu tem ainda a vantagem de estar montando a Universidade das Américas, além da ligação próxima com o Mercosul. As produções poderiam atravessar fronteiras, segundo Tizuka.(E.M.C.)

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