O Brasil na tela
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
Luiz Zanin Oricchio 
Agência Estado
DivulgaçãoPolicarpo Quaresma estréia em marçoBocage, o Triunfo do Amor, de Djalma Limongi Batista, que entrou em cartaz na sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi a primeira estréia brasileira do ano. Depois dele, muitos virão: há, pelo menos, outros 22 filmes nacionais, prontos ou em fase de finalização, esperando hora e vez para chegar às telas. O que nem sempre é fácil, pois, como se sabe, a receptividade do exibidor ao produto importado é muito maior, para dizer o mínimo. Mas, enfim, pode-se esperar que 1998 supere em número as 19 estréias do ano passado.
Em termos de lançamento nacional, janeiro deve limitar-se a Bocage e a Como Ser Solteiro, da estreante Rosane Svartman. É um mês com salas loteadas pelas grandes estréias de férias. Tanto é que o lançamento de For All - o Trampolim da Vitória, de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz, foi adiado para maio. A razão dos produtores: em janeiro é impossível, fevereiro é o mês dos concorrentes ao Oscar, março, o do Oscar, em abril esses blockbusters ainda conservam fôlego, talvez em maio sobre algum espaço. O cinema brasileiro segue assim, enfiando-se pelas frestas do mercado.
Há filmes muito aguardados, como Central do Brasil, de Walter Salles, que participa do Sundance Festival este mês e vai ao Festival de Berlim em fevereiro. Só depois disso os brasileiros poderão ver a história da escritora de cartas para analfabetos vivida por Fernanda Montenegro. Outro que desperta curiosidade é Policarpo Quaresma, adaptação de Paulo Thiago para o romance de Lima Barreto. Policarpo, com Paulo José no papel-título, participou em dezembro do Festival de Mar del Plata e entrará em cartaz em março.
Até o fim do mês, entra Como Ser Solteiro, da estreante Rosane Svartman, mas, convenientemente, essa crônica sobre a zona sul carioca deve ser lançada primeiro em seu hábitat natural antes de chegar a São Paulo. Fenômeno inverso deve ocorrer com Boleiros, do paulista Ugo Giorgetti.
Muitos paulistas Aliás, há toda uma boa safra de filmes paulistas para ser lançada. O veterano Walter Hugo Khouri dispõe de dois longas para desaguar: Paixão Perdida e As Feras. Beto Brant, que estreou no ano passado com o excelente Os Matadores, faz sua leitura pessoal da época da luta armada com Ação Entre Amigos, um anti-O Que É Isso, Companheiro?, como definiu. Outro veterano, Denoy de Oliveira, chega com seu operístico e interessante A Grande Noitada.
Guilherme de Almeida Prado lança, talvez na metade do ano, seu A Hora Mágica, adaptação do conto de Julio Cortázar Cambio de Luces. Hector Babenco faz um balanço de sua juventude em Corações Loucos, filme que tem roteiro do argentino Ricardo Piglia e o grande ator Miguel Angel Solá na função de alter ego do diretor. Mara Mourão, outra estreante, já tem pronto seu Alô!, que marca o début no cinema da atriz e modelo Betty Lago. Eliane Caffé mostra Kenoma em abril. Cecílio Neto, surpreendentemente, estréia no longa-metragem com um filme infantil, A Reunião dos Demônios.
Dedicado ao mesmo público vem O Menino Maluquinho 2, de Fernando Meirelles e Fabrizia Pinto, trazendo de volta o personagem de Ziraldo. No gênero aventura espera-se No Coração dos Deuses, de Geraldo Moraes e, no romântico, faz-se fé em Bella Dona, produção com a grife Barreto, dirigida por Fábio Barreto (de O Quatrilho).
Até thriller Ainda este ano Zelito Vianna deve pôr nas telas Villa-Lobos, com seu filho Marcos Palmeira fazendo o compositor quando jovem e Antônio Fagundes quando maduro. O mineiro Helvécio Ratton, que dirigiu O Menino Maluquinho, mudou de gênero e vai lançar Amor & Cia, baseado numa deliciosa novela conjugal de Eça de Queirós.
Carla Camurati, depois de Carlota Joaquina, maior sucesso do cinema nacional em sua fase de retomada, tenta a sorte com La Serva Padrona. Oswaldo Caldeira, há muito sem filmar, reaparece com seu Tiradentes. Há mesmo um thriller, O Dia da Caça, dirigido por Alberto Graça.
Um documentário, Terra do Mar, de Mirella Martinelli e Eduardo Caron, e um longa problemático, O Amor Está no Ar, de Amilton de Almeida, disputam com desvantagens o pouco espaço disponível.


