Agência Estado

Divulgação‘‘Policarpo Quaresma’’ estréia em março‘‘Bocage, o Triunfo do Amor’’, de Djalma Limongi Batista, que entrou em cartaz na sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi a primeira estréia brasileira do ano. Depois dele, muitos virão: há, pelo menos, outros 22 filmes nacionais, prontos ou em fase de finalização, esperando hora e vez para chegar às telas. O que nem sempre é fácil, pois, como se sabe, a receptividade do exibidor ao produto importado é muito maior, para dizer o mínimo. Mas, enfim, pode-se esperar que 1998 supere em número as 19 estréias do ano passado.
Em termos de lançamento nacional, janeiro deve limitar-se a ‘‘Bocage’’ e a ‘‘Como Ser Solteiro’’, da estreante Rosane Svartman. É um mês com salas loteadas pelas grandes estréias de férias. Tanto é que o lançamento de ‘‘For All - o Trampolim da Vitória’’, de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz, foi adiado para maio. A razão dos produtores: em janeiro é impossível, fevereiro é o mês dos concorrentes ao Oscar, março, o do Oscar, em abril esses blockbusters ainda conservam fôlego, talvez em maio sobre algum espaço. O cinema brasileiro segue assim, enfiando-se pelas frestas do mercado.
Há filmes muito aguardados, como ‘‘Central do Brasil’’, de Walter Salles, que participa do Sundance Festival este mês e vai ao Festival de Berlim em fevereiro. Só depois disso os brasileiros poderão ver a história da escritora de cartas para analfabetos vivida por Fernanda Montenegro. Outro que desperta curiosidade é ‘‘Policarpo Quaresma’’, adaptação de Paulo Thiago para o romance de Lima Barreto. ‘‘Policarpo’’, com Paulo José no papel-título, participou em dezembro do Festival de Mar del Plata e entrará em cartaz em março.
Até o fim do mês, entra ‘‘Como Ser Solteiro’’, da estreante Rosane Svartman, mas, convenientemente, essa crônica sobre a zona sul carioca deve ser lançada primeiro em seu hábitat natural antes de chegar a São Paulo. Fenômeno inverso deve ocorrer com ‘‘Boleiros’’, do paulista Ugo Giorgetti.
Muitos paulistas Aliás, há toda uma boa safra de filmes paulistas para ser lançada. O veterano Walter Hugo Khouri dispõe de dois longas para desaguar: ‘‘Paixão Perdida’’ e ‘‘As Feras’’. Beto Brant, que estreou no ano passado com o excelente ‘‘Os Matadores’’, faz sua leitura pessoal da época da luta armada com ‘‘Ação Entre Amigos’’, ‘‘um anti-O Que É Isso, Companheiro?’’, como definiu. Outro veterano, Denoy de Oliveira, chega com seu operístico e interessante ‘‘A Grande Noitada’’.
Guilherme de Almeida Prado lança, talvez na metade do ano, seu ‘‘A Hora Mágica’’, adaptação do conto de Julio Cortázar ‘‘Cambio de Luces’’. Hector Babenco faz um balanço de sua juventude em ‘‘Corações Loucos’’, filme que tem roteiro do argentino Ricardo Piglia e o grande ator Miguel Angel Solá na função de alter ego do diretor. Mara Mourão, outra estreante, já tem pronto seu ‘‘Alô!’’, que marca o début no cinema da atriz e modelo Betty Lago. Eliane Caffé mostra ‘‘Kenoma’’ em abril. Cecílio Neto, surpreendentemente, estréia no longa-metragem com um filme infantil, ‘‘A Reunião dos Demônios’’.
Dedicado ao mesmo público vem ‘‘O Menino Maluquinho 2’’, de Fernando Meirelles e Fabrizia Pinto, trazendo de volta o personagem de Ziraldo. No gênero aventura espera-se ‘‘No Coração dos Deuses’’, de Geraldo Moraes e, no romântico, faz-se fé em ‘‘Bella Dona’’, produção com a grife Barreto, dirigida por Fábio Barreto (de ‘‘O Quatrilho’’).
Até thriller Ainda este ano Zelito Vianna deve pôr nas telas ‘‘Villa-Lobos’’, com seu filho Marcos Palmeira fazendo o compositor quando jovem e Antônio Fagundes quando maduro. O mineiro Helvécio Ratton, que dirigiu ‘‘O Menino Maluquinho’’, mudou de gênero e vai lançar ‘‘Amor & Cia’’, baseado numa deliciosa novela conjugal de Eça de Queirós.
Carla Camurati, depois de ‘‘Carlota Joaquina’’, maior sucesso do cinema nacional em sua fase de retomada, tenta a sorte com ‘‘La Serva Padrona’’. Oswaldo Caldeira, há muito sem filmar, reaparece com seu ‘‘Tiradentes’’. Há mesmo um thriller, ‘‘O Dia da Caça’’, dirigido por Alberto Graça.
Um documentário, ‘‘Terra do Mar’’, de Mirella Martinelli e Eduardo Caron, e um longa problemático, ‘‘O Amor Está no Ar’’, de Amilton de Almeida, disputam com desvantagens o pouco espaço disponível.

mockup